Computadores Macintosh devem aderir à IA

A Apple lançou o Macintosh em 1984 com um anúncio de televisão marcante que o apresentava como um ataque anti-establishment contra um futuro distópico

Quarenta anos depois de revolucionar os computadores de uso pessoal, a Macintosh pode reviver os seus dias de glória ao se juntar à onda da Inteligência Artificial (IA) para não ser descartada.

A Apple lançou o Macintosh em 1984 com um anúncio de televisão marcante que o apresentava como um ataque anti-establishment contra um futuro distópico.

Os computadores, conhecidos como “Mac”, ganharam adeptos por sua facilidade de uso e sua interface gráfica, entre outras características.

“A influência do Mac foi enorme”, afirmou à AFP o diretor de pesquisas do grupo Futurum, Olivier Blanchard. “Cada laptop e PC tentou imitar o Mac e seu sucesso”, acrescentou.

Este modelo se tornou a opção preferida dos amantes da Apple, bem como de artistas, cineastas e outros profissionais do setor de criação.

Apesar disso, os computares com Windows que dominaram os ambientes de trabalho, onde comumente se encontra máquinas de baixo custo sincronizadas com ferramentas fabricadas pela Microsoft e outros.

Para reverter este cenário, a empresa tem visitado companhias para destacar o uso de suas máquinas equipadas com “computação espacial” Vision Pro, para o qual começou a receber pedidos na última sexta-feira (19), com um preço em torno de US$ 3.500 (R$ 17 mil na cotação atual).

“A Apple está fazendo mais para entrar nos negócios”, afirmou Carolina Milanesi, analista da Creative Strategies. “Está claro que com o Vision Pro eles pretendem entrar no espaço empresarial e, para isso, vincularam-no ao Mac”, completou.

– Era do PC com IA –

Segundo analistas, o mercado mundial de computadores pessoais, que entrou em colapso com a ascensão dos smartphones, está sendo renovado pela tendência de trabalhar e fazer cursos em casa, bem como pelo enorme interesse na adaptação da Inteligência Artificial aos PCs.

“A IA é uma dessas mudanças que ocorrem uma vez por geração no mercado de PCs”, analisou Blanchard à AFP. “Os PCs estão prestes a se tornar muito mais poderosos e fáceis de usar com a incorporação de recursos generativos de IA”, afirmou”.

É como de repente poder contar com toda uma equipe de assistentes profissionais para lhe ajudarem com qualquer coisa em que esteja trabalhando em seu computador, comparou.

Os dados usados para a IA permanecerão nos PCs, mantendo-os protegidos e economizando custos de computação em nuvem, acrescentou.

Estima-se que a Apple se concentre na computação de IA da mesma forma que se concentrou nos smartphones.

A empresa já utiliza a Inteligência Artificial em sua câmera, na assistente digital Siri e outros dispositivos. Embora pareça estar atrasada na disputa, é provável que esteja projetando seu próprio chip de computador para “Macs com IA”, declararam analistas.

Para Milanesi, o mercado geral de computadores crescerá com a participação do Mac, apesar de seus altos preços.

“Definitivamente há mais oportunidades para a Apple do que as pessoas imaginam”, disse a analista.

“Se o Mac não se tornar um Mac com IA no próximo ano, a Apple será questionada. A IA é literalmente tudo e a Apple não pode evitar”, completou Blanchard.