‘Ghostwire: Tokyo’ diverte, mas desperdiça o potencial

Título entrega um gameplay satisfatório, mas conforme a jornada avança, a experiência se torna repetitiva

por qua, 30/03/2022 - 18:21
Divulgação/Bethesda Divulgação/Bethesda

Quando foi anunciado que o criador das franquias de horror e sobrevivência “Resident Evil” e “The Evil Within”, Shinji Mikami trabalhava em um novo game, e que este teria como tema espíritos e mitos fantasmagóricos do Japão, a expectativa de muitos jogadores foi às alturas. Afinal de contas, era praticamente certo que se tratava de um título de terror. Mas, a cada nova informação de “Ghostwire: Tokyo” que era revelada, ficava evidente que o jogo seguiria por outros caminhos.

A espera por um novo título de horror e sobrevivência é natural, afinal, este gênero se tornou raro nos dias de hoje e existe muito saudosismo por parte dos jogadores que curtiram games como “Resident Evil”, “Silent Hill”, “Alone in the Dark” e outros. Por conta disso, “Ghostwire: Tokyo”, que se trata de um jogo de ação em primeira pessoa, acaba por perder alguns pontos, tudo por conta do peso do nome de seu criador.

Apesar do mal entendido inicial, “Ghostwire: Tokyo” está longe de ser um péssimo título e existem muitos pontos nele que devem ser exaltados, a começar por sua ambientação que se passa em Shibuya, uma região bastante popular de Tóquio, capital do Japão. Amantes da cultura japonesa se sentirão bastante à vontade, pois os cenários lembram os vistos em outras obras orientais, por exemplo os jogos da série “Yakuza”.

A temática fantasmagórica também está conectada aos folclores do país, uma vez que os japoneses são povos ligados a diversas crenças que envolvem espíritos e assombrações. Muitas das lendas que envolvem a região de Shibuya podem ser exploradas nas diversas missões secundárias presentes nos games, que não só complementam a narrativa, como também ajudam a fortalecer Akito, o protagonista do game.

Na história de “Ghostwire: Tokyo”, todos os habitantes de Shibuya desapareceram e o local encontra-se invadido por diversos fantasmas. Depois do misterioso evento, Akito desperta, mas descobre que está possuído pelo espírito do misterioso detetive KK, uma união que concede poderes especiais ao jovem protagonista.

Embora tenham uma relação conturbada no início, os dois decidem unir forças para tentar desvendar o que aconteceu e combater os espíritos malignos, entre eles, o misterioso grupo mascarado Hannya, que desconfia-se serem os principais responsáveis pelo desaparecimento da população.

Para ajudar no combate, Akito utilizará poderes elementais, como vento para ataques diretos; fogo, cuja  funcionalidade se assemelha a uma bomba; água, que pode atingir vários inimigos de uma só vez; amuletos de eletricidade, para paralisar um grupo de espíritos; além de um arco e flecha, que possui arsenal bastante limitado.

Comparado aos games de mundo aberto atual, “Ghostwire: Tokyo” possui um mapa de tamanho mediano, o que não representa um ponto negativo necessariamente, principalmente para os que buscam por uma experiência mais rápida. O título não possui muitas horas de campanha e pode ser concluído em menos de 20h, caso o jogador opte por não realizar o conteúdo secundário.

 Legal, porém enjoativo

“Ghostwire: Tokyo” apresenta uma nova perspectiva para os jogos de tiro em primeira pessoa, mas não demora muito para as novidades acabarem e os elementos repetitivos começarem a ficar escancarados. A começar pela baixa variedade de inimigos, que possuem padrões de ataques bem simples e de fácil aprendizado, o que diminui bastante o desafio do game. A recomendação para os jogadores mais experientes, é que iniciem no nível de dificuldade mais alto.

Outro ponto ligado aos inimigos e dificuldade é que não existe uma grande variedade de bosses no game, na maior parte do tempo, as missões colocarão hordas dos mesmos inimigos como desafio. Graças a isso, muito do potencial do game é perdido, uma vez que seria possível explorar diversas lendas fantasmagóricas do Japão, cada uma com um tipo de fantasma diferente para ser enfrentado. Só resta aguardar se isso ocorrerá em uma possível sequência.

Além disso, para os que não estão interessados na história, o gameplay é outro elemento que pode se tornar repetitivo no caminhar da jornada, uma vez que as missões secundárias não oferecem grande variedade de tarefas a serem feitas, o que fará com que muitos optem apenas por seguir a história principal do game.

No PC, a otimização de “Ghostwire: Tokyo” também deixa a desejar. Mesmo que o hardware atenda a todas as especificações solicitadas, ele apresentará queda nos quadros por segundo em diversos pontos do mapa. Muitos destes problemas estavam presentes no período de teste do game, e um patch no dia de seu lançamento prometia corrigir essas falhas, porém, elas ainda persistem, mesmo que em menor frequência.

“Ghostwire: Tokyo” consegue entregar uma experiência satisfatória, mas pode aborrecer os jogadores que se incomodam com uma experiência repetitiva. O título foi desenvolvido pela Tango Gameworks e publicado pela Bethesda. A princípio, o jogo foi lançado para PC, por R$209 e Playstation 5 por R$299,90. Uma versão para Xbox Series X/S deve ser lançada no futuro.

Por Alfredo Carvalho

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