Clubhouse: saiba tudo sobre a nova rede social

Rede social que conquistou celebridades tem formato inovador, mas ainda peca ao não apresentar ferramentas de acessibilidade

por Katarina Bandeira sex, 12/02/2021 - 17:07
Victor Hugo/LeiaJáImagens Aplicativo é exclusivo para usuários de iOS Victor Hugo/LeiaJáImagens

Bastou o bilionário Elon Musk elogiar uma nova rede social que rapidamente diversas celebridades, além de usuários comuns, passaram a procurar do que se tratava a novidade. Assim como o foi com o mensageiro Signal, o Clubhouse, que até então era conhecido por um grupo seleto de pessoas no Vale do Silício, conquistou o pódio dos aplicativos mais baixados da AppStore e a curiosidade de milhares de pessoas ao redor do mundo. Nomes como Oprah, Ashton Kutcher e Chris Rock, além dos brasileiros Celso Portiolli e Boninho, são apenas alguns famosos que possuem perfil na rede.

Um clubinho seleto

O Clubhouse é uma rede social que usa o áudio como principal meio de comunicação entre seus participantes. Nela, é possível criar salas de bate-papo que podem ser públicas ou privadas, com duração pré-determinada e definidas por algum tema escolhido pelo usuário. Fundada no ano passado, pelos empresários Paul Davison e Rohan Seth, a plataforma ganhou notoriedade principalmente por seu perfil excludente, sendo um aplicativo exclusivo para iPhone e feito apenas para convidados.

“Eu nunca tinha ouvido falar do Clubhouse até então e, de repente, estava todo mundo falando”, comenta o especialista em Inovação, Victor Hugo Soares, que ouviu falar da rede após o comentário feito por Musk. Soares já possui um perfil na rede social e afirma que a plataforma é uma grande sala de conversas “onde você pode receber pessoas aleatórias, do mundo inteiro, para se conectarem com aquele assunto”, explicou.

Ele afirma que, um dos chamarizes da novidade é a possibilidade de interagir com pessoas públicas, porém, a promessa de encontrar com o ídolo dá uma falsa impressão que o usuário “comum” estaria “furando a bolha”. Contudo, o nicho de usuários ainda seria muito restrito. “Tem muitos porém, nesse ‘furar bolhas’. Principalmente, porque o aplicativo hoje só está disponível para iOS e [cerca de] 80% dos usuários do Brasil são de Android. A gente tá falando em atingir apenas 20% da população brasileira com uma nova rede social”, explica.

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Falta acessibilidade

Uma das críticas feitas pelo especialista é a falta de ferramentas para abraçar a comunidade surda. “Por ser uma plataforma de áudio há problemas de acessibilidade muito graves dentro da ferramenta. Pessoas surdas não conseguem participar da conversa, como elas vão ouvir o que está acontecendo ali? A gente tem 5% da população brasileira que é surda, então isso é um ponto a se levar em consideração”. 

Apesar disso, ele afirma que nenhuma rede social nasce 100% pronta e o Clubhouse ainda pode ir se adaptando às demandas dos usuários, implementando, no futuro, ferramentas de inclusão dentro da plataforma. 

Dentro do aplicativo

Para participar do Clubhouse é preciso ter paciência. Além de ser exclusivo para usuários de iOS, uma vez dentro, cada participante recebe apenas dois convites para chamar outras pessoas. Uma dinâmica que lembra o início do saudoso Orkut, rede social que fez sucesso no Brasil, no íncio dos anos 2000.

Além disso, a plataforma tem uma política de Pequeno Príncipe, onde você se torna eternamente responsável por aquele que convida. Ou seja, se seu convidado ferir alguma das diretrizes do aplicativo, você pode ser responsabilizado.

Apesar disso, a dinâmica dentro do app é simples. Ao entrar na rede social o usuário precisa responder um pequeno questionário indicando quais são os assuntos de seu interesse, divididos por categorias como tecnologia, reality show, carros, etc. Isso vai ajudar o aplicativo a indicar salas que tenham a ver os interesses escolhidos. Elas aparecem em um ícone de calendário, no topo da tela, e mostram uma espécie de grade de programação. É importante lembrar que não há vídeos ou fotos, além da imagem do perfil, tudo é feito por áudio.

Salas

Cada sala comporta até 5 mil participantes e é possível entrar em uma sala que já está formada. Também é permitido criar a sua própria sala privada, ou seja, com as pessoas que você escolher, uma só para seguidores ou outra totalmente aberta, em que pessoas de todo o mundo podem ingressar. Ao entrar em algum desses bate-papos o usuário também pode convidar seus amigos para entrarem no ambiente virtual. 

“Existe toda uma estrutura muito bem organizada de moderação, em que as pessoas que estão conduzindo a conversa podem permitir que outros possam falar ou não, do contrário, elas estarão apenas como ouvintes”, explica Victor Hugo. “Eles estão muito focados em ter esse cuidado de moderação”, afirma. 

O especialista também aponta que, apesar da popularidade repentina, o aplicativo ainda não pode ser considerado um novo TikTok. “Enquanto esse negócio não tiver 100 milhões, 300 milhões de usuários, eu não acredito que ele possa ser considerado massificado. Inclusive, era isso que eles queriam no começo”, diz e pondera que, antes de bater o martelo sobre a influência do app é preciso dar tempo e observar se ela vai sobreviver, ao menos, ao primeiro mês de uso.

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