Apple adia autorização obrigatória para setor publicitário

'Para dar aos desenvolvedores tempo para fazer as mudanças necessárias, os aplicativos não terão que pedir permissão para rastrear usuários até o ano que vem', disse a empresa

sex, 04/09/2020 - 07:24
Josh Edelson (Arquivo) Repórter passa por logotipo da Apple durante evento em San Francisco, Califórnia, em 9 de setembro de 2015 Josh Edelson

A Apple vai adiar o lançamento de um recurso que forçará os aplicativos móveis a pedirem permissão aos usuários para rastreá-los, uma mudança que preocupa o Facebook e os editores, que dependem de publicidade direcionada.

"Para dar aos desenvolvedores tempo para fazer as mudanças necessárias, os aplicativos não terão que pedir permissão para rastrear usuários até o ano que vem", disse a empresa em seu blog para editores de aplicativos na quinta-feira (3).

O Facebook alertou na semana passada sobre os riscos associados a essa mudança de regra, que limitará sua capacidade e a de desenvolvedores de aplicativos de terceiros de atingir os usuários do iPhone com anúncios.

A rede social afirma que o impacto para editoras e desenvolvedores é "difícil de quantificar", mas diz que mediu em simulações "mais de 50% de perda de receita quando a personalização de campanhas publicitárias no celular é retirada".

A última atualização do sistema operacional da Apple (iOS 14) para seus smartphones, tablets e Apple TV foi lançada no final de agosto, em modo de teste de desenvolvedor.

"Acreditamos que a tecnologia deve proteger o direito fundamental à privacidade, o que significa fornecer aos usuários as ferramentas para entender quais aplicativos e sites podem compartilhar seus dados com outras empresas para fins publicitários, bem como a opção de retirar sua permissão", afirmou a Apple em uma mensagem à AFP.

Com o iOS 14, os usuários também podem escolher compartilhar apenas sua localização "aproximada" com aplicativos e sua biblioteca de imagens será mais protegida.

A Apple se distanciou estrategicamente por anos de seus dois vizinhos do Vale do Silício, Google e Facebook, muitas vezes lembrando que sua receita não é derivada de publicidade e, portanto, de dados pessoais.

O acompanhamento dos usuários, graças a um identificador publicitário único nos telemóveis, permite recolher e partilhar (anonimamente) dados sobre eles, de forma a lhes apresentar anúncios personalizados.

Esse é um dos aspectos essenciais do modelo econômico do Facebook e do Google, cujos algoritmos realizam esse trabalho de coleta e processamento de dados em perfis anônimos.

As plataformas do Facebook, incluindo Instagram, Messenger e WhatsApp, vendem espaço publicitário ultra-direcionado em grande escala para os anunciantes.

Eles também fornecem ferramentas que permitem rastrear e monetizar esses perfis quando eles saem do Facebook e mudam para outro aplicativo.

Os aplicativos de terceiros então vendem o espaço publicitário, também direcionado e, portanto, muito mais lucrativo do que os anúncios genéricos não personalizados.

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