Site devolve parte do que você gastou em lojas virtuais

Meliuz é iniciativa de dois brasileiros e tem modelo semelhante à Nota Fiscal Paulista

idgnowpor Nowdigital qui, 15/09/2011 - 12:35
Flickr: Rdenubila Sistema conhecido como “cash back”, e é um hábito em vários países Flickr: Rdenubila

Hábito em muitos países, receber de volta parte do que se paga em produtos e serviços — um sistema conhecido como “cash back”, ou dinheiro de volta — pode vir a se tornar mais popular também no Brasil com sites como o Meliuz. No ar desde segunda-feira (12), o portal permite que o consumidor tenha o reembolso de uma fração do preço pago em compras na Internet — e que, em alguns casos, pode chegar a 45% (a taxa mínima é de 1,5%).

“Sempre fomos usuários de vários programas de recompensa, mas ficávamos insatisfeitos com o modo com que alguns eram implementados”, afirma Ofli Guimarães, de 26 anos, que fundou o site ao lado de Israel Salmen, de 22. Ambos conheceram-se quando cursavam Economia na Universidade Federal de Minas Gerais e maturaram o plano de negócios enquanto trabalhavam em uma empresa de gestão de investimentos. Um investidor anjo, que mantém sua identidade em sigilo, deu gás ao negócio.

O modelo não é de todo conhecido do consumidor, pois guarda semelhança com o adotado por programas oficiais como o Nota Fiscal Paulista, em que o consumidor recebe parte do valor do imposto pago na compra do produto ou contratação do serviço. A finalidade, contudo, é diferente. Enquanto a meta do governo é aumentar a arrecadação com a emissão de notas fiscais, a das lojas é fazer com que o consumidor volte mais vezes. Iniciativa do governo do estado, a Nota Fiscal Paulista afirma ter 11,7 milhões de cadastrados que receberam até hoje mais de R$ 4,4 bilhões.

Descomplicado

Guimarães conta que o Meliuz foi concebido desde o zero como uma forma descomplicada de “cash back”. Em vez de acumular pontos, o usuário acumula dinheiro. O site não pede envio de comprovação da compra. Não é preciso pagar taxas de adesão, como fazem alguns sites similares no exterior, e o valor mínimo de retirada — R$ 20 — também é baixo para os padrões do setor, garantem os sócios. “Para o usuário, é tudo gratuito”, atesta Guimarães.

Quem, então, paga a conta? Uma dica pode estar no tempo necessário para que a restituição apareça na conta do consumidor. Depois que a compra — feita a partir do Meliuz — for fechada, a loja tem 30 dias para confirmá-la, e a liberação do dinheiro poderá levar mais 60 dias. Para viabilizar as transferências de baixo valor, o portal fechou acordos com sete grandes bancos, incluindo Itaú, Bradesco e Banco do Brasil.

Lojas

Em relação às lojas online, o Meliuz nasce com parcerias de peso como Walmart, Compra Fácil, Americanas.com e Submarino. “Muitas aderiram na hora em que apresentamos nosso plano de negócio”, diz Guimarães. Para estimular as lojas, os sócios restringiram a quantidade de parcerias por categoria. Além disso, o site oferece ao consumidor um comparador de preços que vasculha produtos nas lojas e negócios participantes e incentiva a visita descompromissada de curiosos às ofertas do site por meio de um link "Cadastrar depois", no canto direito da tela inicial.

Para Guimarães e Salmen, a receita já deu certo. A meta de cadastros para o primeiro mês, de 15 mil, vai ser atingida, garantem. Até o fim de 2011 a intenção é ter 100 mil cadastros e, quando o site completar um ano, o faturamento deverá ser de 2 milhões de reais. Boa parte dessa aposta está ancorada no poder de articulação das redes sociais — o login no site pode ser feito a partir de perfis do Facebook, Twitter, Orkut e Google. E, caso um usuário conquiste um novo cadastrado, receberá 10% da comissão pelas compras efetuadas por ele. Isso, os programas de reembolso de notas fiscais não faz.

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