As pautas de costumes e as tentativas de Lula de se aproximar do conservadorismo brasileiro 

As tentativas do presidente Lula em manter uma boa avaliação pública em relação a seus posicionamentos sobre as pautas de costume

As pautas de costumes e as tentativas de Lula de se aproximar do conservadorismo brasileiro 

Presidente Lula (PT). Foto: Ricardo Stuckert/PR

As pautas de costumes e os posicionamentos do presidente Lula (PT) vêm tomando rumos diversos na política nacional. Debates em torno do aborto e da descriminalização das drogas no país surfam na crista da onda levantada, principalmente, pela oposição, especialmente entre os parlamentares conservadores e evangélicos. No entanto, devido a declarações do Chefe do Executivo nacional, as alas mais conservadoras do Congresso disputam a atenção para defender seus pontos de vista. 

Para explicar um pouco sobre o assunto, e os possíveis desdobramentos neste ano eleitoral, a cientista política Priscila Lapa conversou com o LeiaJá. A princípio, a especialista afirma que é preciso entender o peso político que as pautas de costume têm no debate público. “Existe já uma resistência prévia de origem de alguns segmentos com o governo Lula pelo temor de que pautas progressistas avancem”, contextualiza. 

Lapa, em seguida, aponta ainda o impacto que as redes sociais produzem atualmente e que acabam por influenciar na postura do governo. “Agora o fato de a gente ter uma estridente parcela da população que se posiciona, que entende muito bem como causar devidamente as repercussões nas redes sociais, nos meios digitais, quando traz temas dessa natureza, tem sido sim um empecilho para que a opinião pública avalie positivamente o governo Lula”, assevera.  

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As pautas de costume no debate público 

Ao tratar de políticas públicas, contudo, Lapa explana que o PT teve mais sucesso ao falar de assuntos como acesso à universidade ou habitação. No entanto, ela observa ainda que a resposta popular não tem sido a mesma de anos atrás, em seus governos anteriores. “Não têm conseguido ter a mesma reverberação perante a opinião pública, esperando parcela considerável do eleitorado, como se houvesse uma predisposição de, independentemente dos resultados dessas decisões das políticas, não se alcançasse o devido reconhecimento ou avaliação positiva do governo por parte do eleitorado”, analisa. 

“Agora também não existe hoje claramente uma estratégia do governo que possa avançar, fazer com que a opinião pública, positiva, do governo consiga crescer sobre uma opinião negativa. Existe, claro, um entendimento da ala estratégica do governo de que é preciso criar pontes de diálogos com esses segmentos que, majoritariamente, não apoiam o governo”.

Entretanto, o estudioso frisa o peso da opinião pública em relação aos temas. “Mas, devido a essa cristalização da opinião pública em torno desses temas independentemente de ter fatos presentes na conjuntura que possam levar a opinião pública a se mover. Como se houvesse um substrato ali no qual o governo tem tido de fato uma dificuldade concreta de dialogar, de ser mais propositivo ou de ao menos, sequer ter uma abertura perante esse segmento do eleitorado”, finaliza.