Criminosos se passam por 17 deputados e senadores para aplicar golpes

Golpistas usavam as imagens dos políticos no perfil, entravam em contato com as vítimas e ofereciam falsas doações

Criminosos se passam por 17 deputados e senadores para aplicar golpes

Criminosos se passam por deputados e senadores para aplicar golpes financeiros. Os parlamentares Soraya Thronicke (União-MS) e Humberto Costa (PT-PE) foram vítimas. Fotos: Jefferson Rudy/Agência Senado

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, na madrugada desta terça-feira (27), a operação Alto Escalão 2, que investiga um grupo criminoso responsável por fraudes sob falsidade ideológica. A organização, para aplicar golpes, fingia ser, pelo menos, 17 deputados e senadores da República. A operação consistia em clonar perfis de WhatsApp dos parlamentares e buscar vítimas para as fraudes eletrônicas.

Os deputados e senadores vítimas dos golpes foram André Janones (Avante-MG), Rogério Corrêa (PT-MG), Natália Bonavides (PT-RN), Diego Andrade (PSD-MG), Humberto Costa (PT-PE), Paulo Paim (PT-RS), Teresa Leitão (PT-PE), Ana Paula Lobato (PSB-MA), Carlos Viana (Podemos-MG), Soraya Thronicke (União-MS), Soraya Thronicke (União-MS), Marcio Bittar (União-AC), Esperidião Amin (PP-SC), Luis Carlos Heinze (PP-RS), Marcelo Castro (MDB-PI) e Vanderlan Cardoso (PSD-GO).

O esquema

De acordo com o inquérito, um homem de 26 anos é o chefe da operação. Ele conta com a ajuda de quatro mulheres, com idades entre 22 e 43 anos. Os golpistas usavam as imagens dos políticos no perfil, entravam em contato com as vítimas e informavam que gostariam de fazer uma doação. No entanto, eles cobravam um depósito para pagar o frete das doações e sempre informavam que o prazo para envio era curto.

A investigação teve início em junho de 2023, logo depois de alguns senadores e deputados vítimas dos golpes terem procurado ajuda. Após sete meses de trabalho, a polícia apontou que os autores também utilizavam perfis falsos de outras autoridades e, em muitos dos casos, utilizavam vários números telefônicos cadastrados em nome do mesmo parlamentar.

A ação contou com apoio das polícias civis do Piauí (PCPI) e Maranhão (PCMA). As equipes cumpriram oito mandados de busca e apreensão nas cidades de Timon-MA e em Teresina-PI. Os autores devem responder pelos crimes de associação criminosa, falsidade ideológica e estelionato, cujas penas somadas podem atingir nove anos de reclusão.