Mourão e Pontes criticam operação da PF que investiga aliados de Bolsonaro

Na operação, foram presos o ex-assessor de Bolsonaro Filipe Martins e o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto

Mourão e Pontes criticam operação da PF que investiga aliados de Bolsonaro

O senador Hamilton Mourão discursando Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Em pronunciamento em Plenário, o senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) e o ex-vice-presidente, senador Hamilton Mourão manifestaram preocupação com a Operação Tempus Veritatis (hora da verdade, em latim) da Polícia Federal para investigar as acusações de tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

O senador Marcos Pontes chamou a atenção para as prisões pela PF, na manhã desta quinta-feira (8), do coronel do Exército Marcelo Câmara e do ex-assessor para Assuntos Internacionais da Presidência Filipe Martins, ambos ligados ao ex-presidente da República Jair Bolsonaro, além do presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar da Costa Neto, detido por posse ilegal de arma de fogo. Segundo o parlamentar, falta clareza sobre as buscas e apreensões envolvendo figuras políticas.

 — Nós temos visto uma falta de transparência do processo jurídico esperado e normal no nosso país. Quando observamos os processos recentes — e isso não é opinião minha simplesmente, basta observar os fatos —, vemos que essa transparência e esse processo jurídico normal não têm sido respeitados no que deveriam ser — disse Pontes.

 O ex-ministro também disse que a atuação da Polícia Federal mudou o foco. Anteriormente, segundo Pontes, a PF se dedicava a combater crimes graves, como busca por traficantes, de chefes de facção, corruptos, malas de milhões de reais ou dólares nas residências de políticos corruptos. Agora, no entanto, a ação da polícia federal está voltada para processos políticos. Ele observou que a mudança levanta questões sobre o uso adequado dos recursos da instituição e sua independência.

 — Quando você vê uma situação dessa, um cenário desse se despontando no nosso país, você vê que são duas alternativas ruins. Uma delas é a aceitação pacífica de tudo que acontece de errado e incorreto, e isso leva a ditaduras, como vimos, tristemente, em outros países acontecer. E o outro lado é um conflito civil, e também vimos resultados terríveis quanto a isso no mundo todo. Então, vejo que estamos num momento, agora, em que todos precisamos ter bom senso, precisamos ter uma maneira de resolver esses problemas de forma inteligente, de forma lógica, sem chegar a nenhuma dessas situações, ou ditadura ou um conflito civil — disse.

Na avaliação de Mourão (Republicanos-RS), a operação “está sendo misturada” com outras investigações, como a que apurava fraude no cartão de vacinação do ex-presidente, com o objetivo de suprimir a oposição política no país.

— Tudo está sendo misturado para alcançar indistintamente opositores políticos, inclusive o principal partido de oposição [PL]. As medidas persecutórias variam segundo as circunstâncias (…). Estamos caminhando para a implantação de um regime autoritário. O que se vislumbra nessa onda de apreensões deflagradas hoje é a intenção de caracterizar as manifestações da população como fruto de uma conspiração golpista, desqualificando toda e qualquer forma de protesto — disse Mourão.

Mobilização

A Polícia Federal expediu hoje, ao todo, 33 mandados de busca e apreensão, quatro mandados de prisão preventiva e 48 medidas cautelares. O senador ainda pediu mobilização pacífica da sociedade contra o que considera “arbítrios que o STF vem cometendo”.

— Conclamo a todos que, por meio de palestras, entrevistas, artigos, postagens nas redes sociais, possamos mobilizar a sociedade — afirmou o ex-presidente.