Lula diz que Bolsonaro ganhou no roubo e ironiza 3ª via

Em tom irônico contra o adversário, o petista ainda sugeriu que os próximos presidentes passem por avaliação psicotécnica antes de assumirem o cargo

ter, 06/07/2021 - 09:59
José Cruz/Agência Brasil Ex-presidente Lula durante pronunciamento José Cruz/Agência Brasil

Na manhã desta terça-feira (6), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rebateu a pretensão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por voto impresso em 2022 e indicou que ele foi eleito em uma disputa ‘roubada’. Em tom irônico, em entrevista à rádio Salvador FM, o pré-candidato sugeriu que o representante da 'terceira via' seja escolhido em um show de calouros.

Em desacordo às acusações de fraudes no processo eleitoral brasileiro levantadas por Bolsonaro, que não apresentou nenhuma prova da suspeita e já afirmou que só perde em 2022 com adulterações nas urnas eletrônicas, o petista disse que o adversário foi eleito em uma disputa "roubada". 

"Voto impresso é voltar pra época dos dinossauros. Se fosse possível roubar na urna eletrônica, jamais um metalúrgico teria sido eleito presidente da República. Eleição roubada foi a do Bolsonaro, que foi eleito com fake news, sem participar de um único debate", apontou.

Lula lamentou as mais de 525 mil mortes pela crise sanitária no Brasil, criticou a descoordenação do Governo Federal e repudiou as suspeitas de superfaturamento na aquisição de milhões doses imunizantes da Covaxin e da AstraZeneca.

"Tanta gente morreu de Covid e agora ficamos sabendo que tinha gente tentando roubar dinheiro às custas de vacina. E o governo protelando a compra. Virou um mercado livre com todo mundo negociando, quando deveria ter sido de responsabilidade exclusiva do Ministério da Saúde", repreendeu.

Apesar dos ataques à atual gestão do Executivo, o ex-presidente indicou que não vai adotar o tom agressivo de Bolsonaro. "Minha política não vai ser de ficar falando mal de adversário. Vai ser de juntar todo mundo pra provar que o Bolsonaro é um desserviço a esse país. Não vou ficar batendo boca, minha conversa é com o povo brasileiro", disse.

Contudo, tomou a postura questionável do atual presidente como exemplo e orientou que os próximos eleitos passem por uma avaliação psicológica antes de receberam a faixa presidencial. "Acho que daqui pra frente, depois do Bolsonaro, era bom fazer um psicotécnico depois das eleições... Se o cara precisa de um psicotécnico pra dirigir um fusquinha, seria bom fazer pra dirigir um país", sugeriu.

Sobre a polarização política acentuada no Brasil desde meados do segundo governo Dilma, ele lembra que a dualidade de ideias também é comum na conjuntura internacional e ironizou a articulação por um candidato da 'terceira via'.

"No mundo inteiro é secular essa polarização. Nos EUA, França, Espanha. Os partidos que criem vergonha e lancem candidato. Em 89 eu era um bagrinho, disputei com uns 12, e fui pro segundo turno. Acho esse debate muito fraco sabe. Podem fazer um programa de calouro e escolher terceira via", complementou.  

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