FHC: "me dá um certo mal-estar” em ter votado nulo em 2018

Em entrevista, ex-presidente defende um candidato do centro para 2022

sex, 05/03/2021 - 18:19
Tânia Rêgo/ Agência Brasil (22/04/2016) O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso Tânia Rêgo/ Agência Brasil (22/04/2016)

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse, em entrevista publicada nesta sexta-feira (5), que sente “um certo mal-estar” por não ter votado em alguém contra Bolsonaro, que era Fernando Haddad (PT). Por outro lado, não assume que se arrependeu de ter contribuído para eleger o atual presidente, por ter votado nulo no segundo turno das eleições de 2018.

Durante a conversa, FHC foi questionado se repetirá o voto nulo em 2022, caso a disputa fique entre PT e Bolsonaro. Ele respondeu: “Foi a única vez na vida que votei nulo. Não acreditava na possibilidade de o outro lado fazer uma coisa, que, no meu modo de entender, fosse positiva. Embora eu reconheça que o outro lado tinha mais sensibilidade social do que o Bolsonaro. Mas tinha medo que houvesse uma crise muito grande financeira e econômica e rachasse ainda mais o país. Só em desespero que se vota nulo”.

“Tinha votado no Geraldo Alckmin no primeiro turno e fiquei sem ter candidato. E achei melhor que uma candidatura do PT, de uma pessoa que eu conheço até, me dou bem com ele, o Fernando Haddad. É uma boa pessoa, mas eu achei que ele era pouco capaz de levar o Brasil, naquela época. Hoje, deve ter melhorado. A pior coisa é você ser obrigado a não ter escolha. Ao não ter escolha, permite o que aconteceu: a eleição do Bolsonaro. Teria sido melhor algum outro? Provavelmente, sim. Pergunta se eu me arrependo? Olhando para o que aconteceu com o Bolsonaro, me dá um certo mal-estar não ter votado em alguém contra ele”, reconheceu por fim.

Perguntado se o candidato a enfrentar Bolsonaro precisa caminhar pelo centro, ele declarou que sim, “mas o centro sem lado é inútil. Tem de dialogar com todos os campos.”. O ex-presidente não descarta a possibilidade de votar no PT dessa vez para impedir a reeleição de Bolsonaro.

“Depende de quem do PT seria capaz de levar o país. Espero que não se repita esse dilema. Pouco provável que se repita. O PT perdeu muita presença. O Lula tinha uma imantação, que era do Lula, e não do PT. Não sei quem vai ser o candidato do PT. Mas eu prefiro que seja um candidato saído do PSDB, do centro, não necessariamente do PSDB”, afirmou.

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