Bolsonaro volta a defender medicamentos sem eficácia

Desta vez, o presidente disse que o uso precoce da ivermectina "pode ser" responsável pelo baixo registro de mortes da Covid-19 em países africanos

por Victor Gouveia ter, 05/01/2021 - 08:59
Carolina Antunes/PR Anitta e ivermectina voltaram a ser defendidos pelo presidente Carolina Antunes/PR

Nesta terça-feira (5), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a defender o uso precoce da ivermectina para tratar a Covid-19. Mesmo sem comprovação científica, ele indica que a distribuição em massa do medicamento em países africanos "pode ser" responsável pelos baixos registros de óbitos.

Em seu perfil no Twitter, Bolsonaro apresenta uma lista da Organização Mundial da Saúde (OMS) com nove países que integram o Programa Africano para Controle de Oncocercose, enfermidade conhecida como "cegueira do rio". Na mesma publicação, ele ainda reafirmou que o antiviral nitazoxanida, conhecido como Anitta, é "capaz de reduzir a carga viral de pacientes infectados pelo coronavírus".

Apesar de negar pesquisas científicas, Bolsonaro diz que um estudo sobre o remédio foi publicado em uma "conceituada revista científica internacional" e publicou o áudio de uma reportagem do programa A Voz do Brasil, o qual informa sobre o artigo publicado na European Respiratory Journal, pago com recursos do Governo Federal.

O estudo foi concluído em outubro e publicado em 24 de dezembro. Mesmo antes de ser aceito pela revista, o Governo Federal promoveu um evento para divulgar os resultados da pesquisa, mas não apresentou dados e usou um gráfico genérico, encontrado em banco de imagens, para realizar a apresentação.

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