Mandetta aprova discurso de Bolsonaro sobre quarentena

"Virá uma onda de dificuldade maior ainda na questão econômica”, disse o ministro da Saúde

qua, 25/03/2020 - 19:02
Isac Nóbrega/PR "virá uma onda de dificuldade maior ainda na questão econômica”, disse Isac Nóbrega/PR

Apesar de não falar abertamente para que as pessoas voltem a normalidade como disse o presidente Jair Bolsonaro em um pronunciamento na terça-feira (23), o ministro da saúde Luiz Henrique Mandetta, afirmou em coletiva nesta quarta-feira (24), que o discurso do chefe do executivo foi acertado em relação ao risco econômico.

Apesar da afirmação Mandetta não desmereceu o risco eminente da pandemia global do coronavírus, mas rechaçou que a quarentena poderia ser feita de uma forma ‘organizada’.

“A quarentena a gente lança mão quando tem uma doença infecciosa, que é o caso dessa, quando a transmissão seja fácil, como é o caso dessa, que nós não tenhamos sistema imunológico como é o caso dessa. Onde nós possamos ter casos de consequência de muita letalidade, ou consequência de uso em paralelo e intenso do Sistema de saúde, como é o caso dessa”, explicou.

“A última vez que o Brasil fez uso de quarentena foi em 1917 a época da gripe espanhola. É normal, faz parte dessa situação quando se fala em quarentena nós errarmos, ou calibrarmos, ou fazer projeções questionáveis por a, b, ou, c. Se nós estamos iniciando a curva temos que ter muita calma porque a quarentena é um remédio extremamente amargo e vai ter a hora que a gente vai precisar usar”, afirmou.

O ministro ainda defendeu que o controle de mobilidade deveria ser feito de forma gradativa: “Antes de adotar o fecha tudo existe a possibilidade trabalhar por bairro, existe a possibilidade de fazer redução de mobilidade urbana, até chegar a um patamar, quando eu chegar nesse patamar passo a considerar conter um bairro, conter uma cidade”.

Governadores

Sobre as decisões de governadores de fechar cidades inteiras paralisando comércios, Mandetta foi crítico: “Nós saímos do início dos números para um efeito cascata de decretação de lockdowns em todo território nacional em paralelo como se nós estivéssemos todos em franca epidemia. Isso causa uma série de transtornos para o próprio sistema de saúde”.

“Quarentena sem prazo para terminar vira parede na vida das pessoas que precisam comer, precisam abastecer suas casas, que precisam ir e vir porque isso faz parte da sobrevivência”, disse Mandetta que ainda declarou: “Nós não vamos mudar um milímetro  do nosso foco na vida”.

Pronunciamento do Presidente

Em relação ao criticado pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro que pediu para que as pessoas voltem a normalidade, Luiz Henrique Mandetta elogiou o líder da nação em relação à economia, mas não reforçou o pedido que para que as pessoas voltem a normalidade: “As questões econômicas são importantíssimas que estiveram nas falas do presidente. Se não tivermos um cuidado com a atividade econômica essa onda de dificuldade que saúde vai trazer, virá uma onda de dificuldade maior ainda na questão econômica”.

Possível afastamento

Mandetta também aproveitou para afastar qualquer possibilidade de saída da pasta: “Eu saio daqui na hora que o presidente achar que não devo trabalhar, ou quando eu tiver doente, ou quando passar esse período todo de turbulência e eu achar que não sou mais útil. Vamos trabalhar com critério técnico, sempre”.

 

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