O que esperar da política em 2020?

Presidente sem partido, soltura do ex-presidente Lula e a polarização política devem refletir no pleito eleitoral dos municípios e no cenário político nacional

por Francine Nascimento dom, 29/12/2019 - 15:42
Arquivo/Elza Fiúza/Agência Brasil Arquivo/Elza Fiúza/Agência Brasil

O ano de 2020 promete ser movimentado para a política visto que os cidadãos vão às urnas para escolherem os seus representantes municipais - prefeitos, vice-prefeitos e vereadores. Paralelo a isso, está a polarização política cada vez mais acirrada após a soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o início do processo de criação do Aliança pelo Brasil, futuro partido do presidente Jair Bolsonaro. 

Na disputa eleitoral marcada para 4 de outubro de 2020 (primeiro turno), o pleito já passa a vigorar com algumas regras novas. A principal delas é o fim das coligações para cargos os proporcionais. Além disso, pela primeira vez as eleições municipais terão um fundo de financiamento público, que já foi utilizado no pleito de 2018.

Algumas das novas regras estão em vigor desde a última eleição, outras foram sancionadas por Jair Bolsonaro, pouco antes dele deixar o PSL em novembro e posteriormente anunciar a fundação de uma nova sigla, o que certamente deverá influenciar nas eleições. O Aliança pelo Brasil, no entanto, para se tornar um partido apto para a disputa, terá que arrecadar 500 mil assinaturas até março do ano que vem. Por enquanto, Bolsonaro vem articulando, manifestando apoio a alguns poucos candidatos com interesses ideológicos em comum.

Para a cientista política Priscila Lapa, a agenda das eleições de 2020 poderá revelar uma cobrança maior do que já foi em anos anteriores, tendo em vista o desemprego e outras variáveis estruturais. Segundo ela, não se sabe até que ponto isso pode refletir no discurso nacional.

“A grande agenda de 2020 é a solução para os problemas que já se avolumam há muito tempo. O que não significa que não haverá uma polarização, a mesma das eleições de 2018. Até porque, interessa tanto a Bolsonaro quanto a Lula que haja uma radicalização para atrair os eleitores”, ponderou a especialista.

 Outra grande liderança que deve interferir nas eleições do próximo ano é Lula, que ao ser solto após 580 dias de prisão, reforçou a pauta de oposição ao governo de Jair Bolsonaro e a busca por candidatos para formar alianças com o objetivo de derrotar a direita a partir das eleições de 2020.

No Recife, por exemplo, uma ala do PT visa permanecer com a aliança ao PSB, já outra, que tem até agora o aval de Lula, busca a deputada federal Marília Arraes (PT) como prefeita do Recife. Além de Marília, os outros possíveis candidatos são: João Campos (PSB), Túlio Gadelha (PDT), Mendonça Filho (DEM), Marco Aurélio (PRTB), Daniel Coelho (Cidadania), Raul Henry (MDB) e Charbel Maroun (NOVO).

Qual será o comportamento do governo nas eleições?

O modo como Jair Bolsonaro poderá interferir nas eleições do próximo ano ainda representa uma incógnita, uma vez que tudo irá depender do lançamento do novo partido. A ideia inicial, segundo a declaração dada pelo ministro-chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos no mês passado, era de que mesmo se o Aliança pelo Brasil não conseguisse ser formado até março do ano que vem, o presidente iria mostrar apoio aos candidatos para que depois eles migrassem ao novo partido. Contudo, o chefe do Estado não sustenta mais essa possibilidade. 

 Por enquanto, Bolsonaro diz que tem interesse nas eleições de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife. No caso da capital fluminense, existe uma grande possibilidade dele apoiar o atual prefeito Marcelo Crivella (PRB), que irá disputar reeleição. Todos esses apoios podem ocorrer independente da criação do Aliança pelo Brasil. 

Além do eleitoral, no Congresso Nacional, o presidente terá a chance de reforçar a conexão com os deputados, já que este ano houve dificuldades em razão da pouca articulação política. A prova disso foram alguns projetos de lei que não vingaram em 2019, seja por ter sido derrubado ou não votado na Câmara. "Talvez pela empolgação da conquista, ele teve dificuldades de enxergar que outros atores também são importantes no cenário político, subestimando o papel do Congresso", observou.

Para 2020, espera-se que sejam retomadas as discussões sobre a flexibilização das regras do porte de armas, o aumento da validade da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e a privatização da Eletrobrás.

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