Dia da Independência: uma data de protesto e revolta

24º Grito dos Excluídos, que aconteceu no centro do Recife, nesta sexta (7), uniu manifestantes que anseiam por uma vida mais digna

por Taciana Carvalho sex, 07/09/2018 - 14:54
Rafael/Bandeira/LeiaJáImagens Rafael/Bandeira/LeiaJáImagens

O 7 de setembro, dia da Independência do Brasil, é celebrado em todos os cantos do país com os tradicionais desfiles militares que reúnem autoridades e brasileiros em geral. No entanto, se a data pode ser motivo de comemoração para alguns, uma outra parte da sociedade protestam em um evento realizado nacionalmente: o Grito dos Excluídos. Promovido pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), em parceria com o Movimento dos Trabalhadores Cristãos (MTC), o ato busca protestar contra injustiças, retirada de direitos e desigualdades sociais.

No Recife, a 24º edição do protesto teve concentração no início da manhã, na praça da Democracia, também conhecida como praça do Derby, área central da capital pernambucana, com a presença de representantes de movimentos sociais e de sindicatos, políticos e manifestantes que se juntaram clamando pela diminuição das desigualdades. O tema deste ano foi “Vida em primeiro lugar” e o lema: “Desigualdade gera violência: basta de privilégios”.

Na praça, os manifestantes assistiram apresentações artísticas como o da batucada da Nação Mulambo e do Coletivo Siembra. Por volta das 11h, os grupos saíram em caminhada pela avenida Conde da Boa Vista acompanhado de carros de som. 

O presidente da CUT-PE, Paulo Rocha, ressaltou a importância das pessoas se reunirem para falar sobre seus sonhos. “O Grito dos Excluídos vem mudando o significado do dia 7 de setembro. É preciso denunciar as mazelas e anunciar valores da solidariedade e justiça”, declarou. 

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Mais uma vez, ganhou a cena no ato o boneco Dom Helder Câmara, que já foi considerado, palavras do próprio para João Paulo II, “irmão dos pobres e meu irmão”. A declaração aconteceu, em 1980, quando o pontifício visitou o Recife. Desta vez, o boneco trazia uma faixa vermelha com a frase: “Lula livre”. Muitas pessoas se aproximaram para tirar fotos. 

O polêmico crucifixo onde Lula é comparado a Jesus Cristo, no qual destaca que os dois foram “condenados sem provas” também percorreu as ruas do Centro e atraiu a atenção dos curiosos. Em maio passado, no Dia do Trabalhador, um evento também realizado na Praça do Derby causou ao colocar o boneco de Dom Helder Câmara ao lado de outro no qual Lula aparecia com uma faixa presidencial. 

Para a estudante Maria Clara, o Brasil vive um momento de retrocessos e é necessário gritar para que o governo escute. “Se aceitarmos sempre tudo o que acontece com toda a retirada de direitos, a situação só vai piorar cada vez mais. Não podemos permitir tudo o que está acontecendo. É preciso ir para as ruas e nos unirmos cada vez mais”, disse. 

O evento também fez uma crítica ao governo federal e cartazes pediam “Fora Temer”. Em Belo Horizonte, como um exemplo, a Frente Povo Sem Medo convocou as pessoas para participarem do evento e também reinvidicando a saída do presidente, bem como a reforma do sistema político.

Por sua vez, Temer participou na manhã desta sexta-feira do desfile de 7 de setembro na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Tradicionalmente, o presidente da República abria as comemorações da Independência desfilando no Rolls-Royce conversível da Presidência, no entanto Temer optou por usar um carro preto fechado pela terceira vez. 

 

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