Temer mentiu sobre a reforma trabalhista, diz Humberto

A prova disso, segundo o parlamentar petista, é 'falta de articulação' do emedebista diante da perda de validade da Medida Provisória (MP) 808/17 que suavizava alguns dos mais polêmicos pontos da nova legislação

por Giselly Santos qui, 26/04/2018 - 13:18
Agência Senado/Arquivo Para Humberto, as regras instituídas pela reforma põe diretamente em risco a vida dos trabalhadores Agência Senado/Arquivo

Líder da oposição no Senado, Humberto Costa (PT-PE) afirmou que o presidente Michel Temer (MDB) mentiu para aprovar a reforma trabalhista. A prova disso, segundo o parlamentar petista, é "falta de articulação" do emedebista diante da perda de validade da Medida Provisória (MP) 808/17 que suavizava alguns dos mais polêmicos pontos da nova legislação e foi construída a partir de um acordo feito com a base governista. A caducidade da MP deu validade integral ao texto aprovado pelo Congresso Nacional. 

Para Humberto Costa, as regras instituídas pela reforma põem diretamente em risco a vida dos trabalhadores. “Temer negociou duplamente com a própria base. De um lado, disse que iria suavizar algumas questões, de outro, mas deixou a MP caducar. Mentiu para os que, por um motivo ou outro, ainda acreditavam nele. No meio disso tudo, ficam os trabalhadores e trabalhadoras que assistem a corrosão dos poucos direitos que ainda restavam. Os resultados dessa nova investida contra o povo são gravíssimos”, alertou o senador. 

Entre os trechos da Reforma que passam a ter efeito com o fim da Medida Provisória está o que permite que mulheres grávidas e lactantes possam trabalhar em áreas insalubres. Pela MP, a gestante poderia trabalhar em local insalubre apenas se apresentasse um aval médico. 

“Chega a ser criminosa essa liberação. Autorizar grávidas a trabalhar sem condições de segurança fere a dignidade humana e pode oferecer riscos reais para a mãe e para o bebê. É inaceitável o que estão querendo fazer com as trabalhadoras desse país”, assinalou Humberto. 

Outro ponto que gera muitas críticas é o que autoriza empresas a demitir funcionários com o contrato normal de trabalho para depois recontratá-los como trabalhadores intermitentes. “Com a nova versão da Reforma, o governo Temer vai jogar uma nova leva de desempregados no mercado para que os trabalhadores possam exercer a mesma atividade por um salário menor e sem nenhum tipo de garantia. É aterrador pensar no cenário que está por vir”, considerou o líder oposicionista. 

COMENTÁRIOS dos leitores