Prestes a ser leiloado, Holiday passa por perícia; moradores não aceitam decisão

Imóvel na zona sul do Recife está desocupado desde 2019

Prestes a ser leiloado, Holiday passa por perícia; moradores não aceitam decisão

Edifício Holiday. Foto: Júlio Gomes/LeiaJá

“Quantas histórias têm aqui?”, questiona uma das pessoas que acompanhavam a perícia técnica, na manhã deste sábado (13), no Edifício Holiday, localizado em Boa Viagem, um dos metros quadrados mais caros do Recife. O imóvel, que está desocupado desde 2019, quando as mais de 400 família foram retiradas sob a justificativa de danos estruturais e, consequentemente, risco de incêndio, será leiloado em maio.

A avaliação do prédio foi realizada por Gustavo Farias, engenheiro civil designado pelo Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco (TJPE) , e outros cinco peritos do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Pernambuco (Ibape-PE). A vistoria definirá qual o valor do lance inicial.

Ao LeiaJá, Gustavo Farias explicou que a perícia é a primeira etapa para definição do valor de mercado do imóvel.

À reportagem, o perito comentou que o prazo para o laudo ser concluído é de uma semana. “Foi combinado com o juiz que, transcorrendo tudo da forma que eles querem aqui, esse laudo sai em uma semana. Esse é um processo técnico, existe uma norma da ABNT e ela define todos os mecanismos que a gente está usando aqui. Então, não é uma opinião, uma sugestão de valor. É um trabalho técnico”, frisa.

Gustavo Farias, responsável pela perícia técnica do Holiday. Foto: Júlio Gomes/LeiaJá

Marcas do abandono

O Edifício Holiday foi construído em 1956. Os 17 andares do imóvel eram ocupados por cerca de três mil pessoas. No térreo, havia lojas e uma capela, que também foi desativada após a retirada dos moradores. Após cinco anos, o prédio já não tem uma entrada.

Os peritos, guardas municipais e Polícia Militar, que acompanhavam o processo, tiveram acesso ao local através de um burado aberto na parte de trás do Holiday. A entrada oficial foi fechada com concreto para evitar que o imóvel fosse ocupado.

Buraco que serve de acesso ao imóvel. Foto: Júlio Gomes/LeiaJá

Tudo que os donos e inquilinos dos 476 apartamentos não conseguiram tirar na época da desapropriação foi quebrado. Estilhaços de vidro, bacias sanitárias quebradas, papelões e fezes humanas são encontrados no caminho que dá acesso às escadas e elevadores.

Acesso às escadas e elevadores que já não existem mais. Foto: Júlio Gomes/LeiaJá

A princípio, a perícia técnica seria realizada das 8h às 15h. Entretanto, a avaliação se iniciou por volta das 9h e foi encerrada antes das 11h. A equipe pericial transitou pelos cinco primeiros andares e usaram ferramentas para avaliar a parte estrutural do imóvel.

Ao finalizar, Gustavo Farias não forneceu informações preliminares sobre a avaliação.

Moradores não aceitam leilão do Holiday

“Na minha cabeça, eu ainda sou morador. Emocionalmente, eu não moro”, diz Ivo Dumer ao LeiaJá. Proprietário de uma kitnet, onde viveu por 20 anos, desabafa que o processo de leilão do prédio é algo orquestrado. Atualmente, ele mora em um imóvel alugado.

Ivo Dumer, proprietário de um apartamento no Holiday. Foto: Júlio Gomes/LeiaJá

Girleide Ferreira vive duplamente a angústia. Tanto ela quantos os pais são donos de um apartamento no edifício. À reportagem, Girleide relatou que voltou a morar com os genitores. Além disso, ela menciona que há vários projetos construídos pelos moradores, com suporte técnico. Contudo, todos nunca foram recebidos. Entre eles, que a Caixa Econômica Federal iria financiar a reforma total do Holiday.

Girleide conta que adquiriu o imóvel, há 30 anos, por R$ 20 mil. “Só Deus sabe o quanto eu lutei para comprar esse apartamento”, lamenta. Para o LeiaJá, ela cita que as parcelas do imóvel ainda não foram quitadas junto a Caixa Econômica Federal. “Além de mim e do meu pai, há outros moradores pagando o financiamento”, afirmou.