Pescador nada 3 horas para sobreviver após cair de barco no Grande Recife 

Ele caiu no mar de Piedade e contou que a correnteza puxava para a Igrejinha, local com maior risco de ataques de tubarão do Brasil

Pescador nada 3 horas para sobreviver após cair de barco no Grande Recife 

Um pescador de 40 anos sobreviveu após nadar por 3h no mar de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, nesse sábado (24). Ele caiu do barco cerca de 2km mar adentro, próximo à área com maior risco de ataques de tubarão do Brasil. 

Praticante de pesca submarina, Nicolas Teixeira estava sozinho em uma pequena embarcação, na altura do Sesc de Piedade, quando uma onda o arremessou de volta ao mar. A correnteza levou o barco para longe e ele ficou à deriva, por volta das 11h, cerca de 2km mar adentro. 

“Desequilibrei e caí, aí fiquei preso pelo barco, porque a roupa de Neoprene pegou no enrolador daquele de corda que tem no barco, de inox, aí eu cortei, no que eu cortei, cai na água, só que a correnteza tava muito grande ontem, muito grande mesmo, aí eu não consegui voltar pro barco”, relatou. 

Risco de tubarões

Sem condições de alcançar o barco, Nicolas se posicionou em um trecho com bastante movimentação de embarcações para tentar ser resgatado. Depois de 1h dentro d’água, ele avaliou que a única chance de sobreviver passava por acompanhar a correnteza, contudo, o fluxo o levava para a Igrejinha, local com maior risco de ataques de tubarão do Brasil. 

“Onde é que tem movimentação de barco voltando? É nessa entrada dessa boca da barra. Então, eu tentei ao máximo ficar nesse direcionamento leste, né? Porque se passasse algum barco ali, a probabilidade era mais fácil de me ver e me resgatar. Mas depois de 1h nadando eu vi que não dava para segurar muito tempo ali. E aí eu disse ‘vou ter que começar a descer nadando’. O problema é que a correnteza jogava pro norte, que é pra Boa Viagem, ou seja, pro cara descer ali depois da Igrejinha, ou seja, era mais perigo, né? Porque tem aquele canalzinho lá que passa os ‘tubas’, né?”.  

O pescador teve que suportar as condições do mar e o cansaço enquanto se preocupava com a possibilidade de ser atacado. Ele contou que nadou apenas com os braços para não atrair os predadores.

“Aí eu dei o gás para tentar ir um pouco contra a correnteza, descendo. Agora é cansativo, né? Porque eu não bati o pé, eu ia mais no braço já pra não ter o frenesi do tubarão, que é bater no pé. Então, foi no crawl, dava dez remada, descansava um pouquinho. E aí eu fui até a praia, foi 3h, mais ou menos, de nadada” 

“Quando o cara vai chegando perto da praia, assim, uns cem metros, o cara, o braço do cara já tá duro. Mas deu certo, graças a Deus. Aí eu cheguei na praia, e quando eu cheguei na praia mesmo, na areia, aí teve dois salva-vidas que me ajudaram. E o cara chega meio desmaiando, sem energia”  

Equipamentos roubados

O barco não tripulado chamou a atenção de criminosos, que invadiram e roubaram os equipamentos deixados por Nicolas. Testemunhas acharam estranha a movimentação e evitaram que o motor da embarcação fosse desmontado.

“Eu vi um barco vindo lá no mar. Só que eu pensei que tinha alguém, mas ele começou a vir balançando sozinho. Que barco é esse? Sozinho, tem ninguém. Aí eu vi dois caras correndo com a roupa do bombeiro, quando eu cheguei perto, os caras não eram bombeiros. Eu sei que eles estavam tirando tudo. Aí quando eu cheguei lá, na verdade chegou eu e um coroa lá. Aí ele saiu correndo igual louco. Pegou o arpão, acho que foi remo, peixe. Eu sei que ficou uma vara que ele ia levar, mas não conseguiu levar porque quando a gente chegou ele saiu correndo. Aí eles estavam tentando desmontar o motor, mas deu errado pra ele porque a gente chegou. Aí ele pensou que era da gente”, relatou uma testemunha ao LeiaJá.

O Corpo de Bombeiros informou que foi acionado por volta das 14h e resgatou a embarcação. O barco ficou na sede do Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar). Também participaram da ocorrência o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e a Marinha.