População se revolta com funcionamento do Mirabilândia

Parque não teve as atividades encerradas após acidente na tarde desta sexta-feira

População se revolta com funcionamento do Mirabilândia

Após o acidente em um brinquedo no parque de diversões Mirabilândia, em Olinda, no Grande Recife, que feriu gravemente uma jovem de cerca de 22 anosnesta sexta-feira (22), o estabelecimento não teve as atividades do dia encerradas. Visitantes e usuários nas redes sociais relataram revolta e surpresa pela escolha da administração do parque, tendo apenas interditado o brinquedo em que ocorreu o incidente, o ‘Wave Singer’.

Segundo a assessoria de comunicação do Hospital da Restauração (HR), no Recife, a vítima deu entrada na Unidade do Trauma, pouco antes das 16h, e foi submetida a exame de imagem. A paciente teve fraturas pelo corpo e traumatismo cranioencefálico. O estado de saúde dela é grave. 

Revolta de usuários pelo funcionamento do parque 

“Um absurdo o Mirabilândia continuar funcionando, depois do que houve”, diz um usuário da rede social X, antigo Twitter. 

Imagem: Reprodução/X 

Outro perfil conta que estava nesta tarde no parque com amigos, e que “poderia ser qualquer um de nós”. 

Reprodução/X 

Sensação de segurança abalada 

Segundo o professor Dirney Pacífico, de 41 anos, que estava no local acompanhando sua filha, o parque não encerrou o funcionamento após o acidente, e não houve nenhum tipo de aviso ou comunicação por parte da administração aos visitantes. “Na ocasião, os brinquedos permaneceram funcionando e depois de um tempo eu fui pra outro lado e percebi que havia sido isolado o brinquedo onde ocorreu o acidente”, informou. 

Pacífico contou ainda que, mesmo com o isolamento da área, a sensação de segurança não foi retomada por todas as pessoas, principalmente pela qualidade e manutenção dos equipamentos. “Eu passei a ter mais atenção no afivelamento dos brinquedos e o que a gente vê em questão de manutenção, que foi falha no brinquedo porque o que partiu foi uma corrente de aço, então ela deve ter enferrujado, não houve a troca no tempo correto e isso fez com que o acidente acontecesse”, ele especula. 

 

Outra visitante assustada com o ocorrido foi a babá Marília, de 28 anos, que esteve no parque acompanhando seu filho de 11. À reportagem, ela relatou que ficou sabendo do incidente enquanto estava andando pelo parque, mas sem ter recebido nenhum tipo de comunicado por parte dos funcionários do estabelecimento. “Ninguém comunicou nada. Ninguém falou nada. Eu até achei que iriam fechar quando eu vi a polícia, mas continua tudo normal até agora está tudo normal”, lembra. 

O ‘Wave Singer’ foi lançado no Mirabilândia no final de 2020, atraindo o público que buscava uma experiência mais radical, por fazer o usuário ir a uma altura de até 12 metros. O medo de Marília aumentou após o acontecimento nesta última visita, pois esse foi um brinquedo que seu filho utilizou três vezes quando compareceram ao parque em 2022. “Enfim eu mesma não sentia segurança, a prova é tanta por ele ser um brinquedo aberto, com cadeiras, tudo exposto, e que era, tipo assim, a sensação que poderia acontecer um acidente justamente das cadeiras se desprender e tipo acabar [uma pessoa] ‘voando’”, ela compartilhou. 

Ambulantes relatam o ocorrido 

Além das testemunhas oculares, que presenciaram, de maneira traumática, a queda da jovem do brinquedo, muitas pessoas acompanharam a movimentação após o incidente, do lado de fora. É o caso da ambulante Fabíola Alves, que trabalha em um ponto de venda em frente ao Mirabilândia há cerca de nove anos, e que relatou que nunca havia presenciado um acontecimento como esse. “Tem escola que chegou não sei se foram dez ônibus ou mais ou menos, mas tem uma quantidade de escola que são excursões, entraram, que por sinal, eu acho que umas três escolas devem ter saído, acho que devido à situação”, ela contou.

*Com colaboração de Guilherme Gusmão