Dá pra viver em Marte? Voluntários integram simulação

Esta é a primeira missão de três simulações com duração de cerca de um ano que a Nasa pretende fazer em seu programa CHAPEA

Dá pra viver em Marte? Voluntários integram simulação

A Agência Aeroespacial dos Estados Unidos (Nasa) dá mais um passo rumo a seu objetivo de levar humanos a Marte e comprovar que é possível viver no planeta vermelho. Neste domingo, 25, quatro voluntários entraram em um hábitat terrestre que simula as condições de Marte no Johnson Space Center, um centro de comando de voos tripulados, treinamento e pesquisa da Nasa em Houston, no Texas (EUA). Eles permanecerão 378 dias no local.

Esta é a primeira missão de três simulações com duração de cerca de um ano que a Nasa pretende fazer em seu programa CHAPEA, termo em inglês para Exploração Analógica da Saúde e Desempenho da Tripulação. As outras duas missões serão em 2025 e 2026.

A agência planeja concretizar uma missão tripulada a Marte na década de 2030. Por isso, está preparando pesquisadores para lidar com os possíveis desafios de uma viagem desse tipo, incluindo limitações de recursos, falhas de equipamentos, atrasos na comunicação e outros estressores ambientais – todos simulados nessas experiências em hábitats terrestres.

Experimento similar, porém mais curto, foi realizado no começo deste mês, quando nove astronautas espanholas da missão Hypatia passaram 12 dias em um deserto de Utah, também nos Estados Unidos, vivendo circunstâncias inóspitas e similares às do planeta vermelho, como baixa umidade e temperaturas extremas.

Um pedaço de Marte no Texas

O habitat terrestre que simula Marte no Johnson Space Center se chama Mars Dune Alpha e tem 158 metros quadrados. Ele tem cozinha, áreas de uso comum, estações de trabalho e dois banheiros, além de uma área externa com murais e areia vermelha que imitam as condições ambientais do planeta vermelho.

Além de viverem dentro do simulador de base espacial, os pesquisadores também farão simulações de caminhadas espaciais no ambiente externo e contarão com a ajuda de sistemas de realidade virtual para isso, afirmou a Nasa.

O objetivo é coletar dados sobre o desempenho físico e cognitivo dos pesquisadores para entender os potenciais impactos em uma missão de longa duração para Marte na saúde e na performance da tripulação. Por isso, serão dois homens e duas mulheres especialistas na simulação:

Kelly Haston, comandante e cientista especializada em doenças humanas;

Ross Brockwell, engenheiro de voo;

Nathan Jones, médico;

Anca Selariu, biomédica.

“Os conhecimentos que ganharemos aqui nos ajudarão a enviar humanos para Marte e trazê-los para casa em segurança”, disse Grace Douglas, principal pesquisadora do programa CHAPEA em pronunciamento feito na entrada dos pesquisadores no Mars Dune Alpha.