Protesto por moradia cobra diálogo com Raquel Lyra

Moradores e coordenadores da ocupação Leonardo Cisneiros, no bairro de Santo Antônio, pedem atenção do próximo governo estadual

Por volta das 12h desta quarta-feira (21), um protesto por moradia bloqueou o cruzamento entre as ruas do Imperador e Martins de Barros, no bairro de Santo Antônio, Centro do Recife. A manifestação foi organizada por moradores e coordenadores da ocupação Leonardo Cisneiros, localizada no antigo prédio do INSS, um edifício antes abandonado e de posse do Governo Federal. O imóvel foi ocupado em 17 de maio de 2021 e comporta cerca de 120 famílias. 

A Polícia Militar acompanhou a mobilização, que contou com objetos incendiados. A fumaça atrapalhou a passagem de pedestres e motoristas. Apesar das duas vias interditadas, o trânsito nos bairros de Santo Antônio, São José e Boa Vista foi “moderado”, de acordo com a Autarquia de Trânsito e Transporte (CTTU). O Corpo de Bombeiros foi acionado, por volta das 13h, para conter as chamas e fazer a limpeza do local. Até o momento desta publicação, a ocorrência estava em andamento. 

O prédio do antigo INSS, também no bairro de Santo Antônio, é alvo de uma ação de reintegração de posse. Perto de completar dois anos, a ocupação que se instalou no edifício pede que o Governo de Pernambuco tenha celeridade na discussão com o Governo Federal, para realizar a compra e registro do prédio. 

“A gente quer alertar o governo que vai entrar, já que esse governo já vai sair [o do PSB], e a governadora Raquel Lyra tem que saber que temos uma ocupação aqui, a Leonardo Cisneiros, e que há uma negociação com o atual governo, que precisa avançar para tornar esse prédio o primeiro edifício de moradia popular de Pernambuco”, explicou Jean Carlos Costa, de 43 anos, e coordenador do Movimento de Luta e Resistência Pelo Teto (MLRT). 

De acordo com Jean, sempre que a ocupação tenta se manifestar, há repressão policial ou desentendimento com as forças pacificadoras. “Queremos abrir esse diálogo. Estamos fazendo um protesto pacífico e organizado, mas a polícia chega truculenta, ameaçando a gente, e um sargento aqui me ameaçou. Não aceitaremos esse tipo de repressão, eles estão aqui para garantir a nossa segurança e a segurança da cidade. Inclusive, a cidade está abandonada, cheia de assaltos. A gente repudia esse tipo de atitude”, completou o coordenador. 

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