Retinoblastoma: conheça o câncer ocular que afeta crianças

Segundo o Ministério da Saúde, o tumor representa cerca de 3% deste tipo de doença entre crianças; média é de 400 casos por ano

por Camily Maciel qua, 23/11/2022 - 14:35
 Flickr/Community Eye Health Flickr/Community Eye Health

Hoje (23) é o Dia Nacional de Combate ao Câncer Infanto-Juvenil. Recentemente, um caso que ganhou as redes sociais foi o tipo de câncer diagnosticado em Lua, filha do jornalista Thiago Leifert – o retinoblastoma. Trata-se de um tipo de câncer ocular que, segundo o Ministério da Saúde, é um tumor ocular mais comum em crianças, representando cerca de 3% dos cânceres infantis, chegando a uma média de 400 casos por ano.  

Existem três tipos desse tumor: unilateral, bilateral e trilateral. A maioria dos casos, entre 60% e 75%, é unilateral, quando afeta um olho. Destes, 85% são esporádicos, e os demais são casos hereditários. Já o bilateral é quando os dois olhos são afetados, sendo quase sempre hereditário. Já o retinoblastoma trilateral é quando uma criança com tumor hereditário nos dois olhos também apresenta tumor associado às células nervosas primitivas do cérebro.

Os pais e responsáveis precisam ficar atentos aos principais sinais, como o “olho de gato”, em que a pupila pode aparecer uma área branca e opaca no contato com o reflexo da luz, sendo facilmente visível em fotos tiradas com flash; caso apareça vermelho, é porque está normal. A alteração na posição dos olhos é um outro alerta, como o desvio ocular (estrabismo) ou tremor nos olhos.  

Em todos esses casos, a criança precisa ser levada para o oftalmologista para fazer os exames completos. “Uma alternativa é o aplicativo CRADLE, que foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Baylor, no Texas, Estados Unidos. Disponível gratuitamente, ele é capaz de detectar sinais precoces de alterações oculares, inclusive o retinoblastoma.

No entanto, o uso do aplicativo não descarta a necessidade de consultar um médico”, informou em uma entrevista a oftalmologista e pesquisadora do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Andrea Zin. Vários exames confirmam ou descartam o diagnóstico, a começar pelo exame de fundo de olho, que é feito pelo oftalmologista. Logo após, é solicitada a ultrassonografia do globo ocular e ressonância magnética das órbitas oculares.  

O Teste do Reflexo Vermelho (TRV) visa rastrear alterações que causam perda da transparência dos meios oculares, tais como retinoblastoma, catarata, glaucoma, toxoplasmose e deslocamentos de retina tardios. Conforme as Diretrizes de Atenção à Saúde Ocular na Infância do Ministério da Sa4c de recomendam, o teste do reflexo vermelho ou teste do olhinho deve ser realizado em todos os recém-nascidos antes da alta da maternidade e, pelo menos, duas ou três vezes por ano nos três primeiros anos de vida. O objetivo do tratamento é curar a doença e, quando possível, preservar os olhos e a visão. Os principais tipos de tratamento são: cirurgia, radioterapia, terapia a laser e quimioterapia intra-arterial. O tipo de tratamento vai depender do tamanho e da localização do tumor.  

ATENÇÃO COM TERAPIAS ALTERNATIVAS

Em janeiro deste ano, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) emitiram um comunicado sobre o tema que reforça “supostos tratamentos, como self-healing ou prática de exercícios oculares não têm comprovação científica. Portanto, não servem para curar o retinoblastoma ou qualquer outra doença que afete a visão”.

Uma ONG em São Paulo que trata a retinoblastoma é a TUCCA, localizada no Hospital Santa Marcelina, em Itaquera, São Paulo. Ela é uma entidade sem fins lucrativos, referência nesta área e uma associação para crianças e adolescentes com câncer. Já no Rio de Janeiro, basta procurar o atendimento ambulatorial do Instituto Nacional do Câncer (INCA), localizado no centro do Rio de Janeiro.  

 

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