Irã tem novos atos alimentados por repressão a protestos

As manifestações em todo o país são para denunciar a morte de manifestantes na repressão aos protestos motivados pela8 aa morte da jovem Mahsa Amini

sex, 28/10/2022 - 21:28
- Estudantes rejeitam o apoio do Reino Unido às manifestações contra o governo iraniano, em 27 de outubro de 2022, em frente à sua embaixada, em Teerã -

Os iranianos voltaram às ruas nesta sexta-feira (28) em todo o país para denunciar a morte de manifestantes na repressão aos protestos motivados pela morte da jovem Mahsa Amini.

Mahsa morreu em 16 de setembro, três dias depois de ter sido detida em Teerã pela polícia da moralidade por suposta infração ao estrito código de vestuário imposto às mulheres na República Islâmica do Irã.

Ao slogan inicial de "Mulher, Vida, Liberdade" se somaram, ao longo das manifestações, palavras de ordem contra o regime islâmico fundado em 1979.

O movimento de indignação foi, em seguida, atiçado pela repressão violenta, que, segundo a ONG Iran Human Rights (IHR), radicada em Oslo, deixou até agora 160 mortos, incluindo cerca de 20 menores.

As ONGs temem que a repressão se intensifique com as homenagens às primeiras vítimas do movimento, ao final do luto tradicional de 40 dias. Na última quarta-feira, milhares de pessoas foram a Saghez, cidade da província do Curdistão de onde era originária Mahsa Amini, para este fim de luto.

Ontem, foram registrados incidentes perto de Joramabad (oeste), onde uma multidão se reuniu em frente ao túmulo de Nika Shahkarami, 16 anos, que morreu há 40 dias, segundo vídeos com autenticidade verificada. "Vou matar qualquer um que tenha matado a minha irmã", gritam os manifestantes em um vídeo publicado pelo grupo de defesa dos direitos humanos HRANA, radicado nos Estados Unidos.

- Tiros em Zahedan -

Outros incidentes foram registrados nesta quinta-feira, após o funegurança, ficaram feridas nestes "distúrbios".

Antes, autoridades iranianas destituíram dois altos funcionários da segurança desta cidade, entre eles o chefe da polícia, após a publicação de um relatório que aponta para "negligências por parte de certos oficiais", que levaram à morte de civis "inocentes".

- Mais repressão? -

Analistas destacam que as autoridades buscam formas de sufocar os protestos sem se basearem exclusivamente em seu esmagamento maciço, para tentar conter a indignação popular.

"Por enquanto, parecem testar técnicas - como as detenções e intimidações, interrupções controladas da Internet, e, inclusive, matando alguns manifestantes", disse à AFP Henry Rome, especialista em Irã no Washington Institute. "Mas duvido que as forças de segurança tenham descartado a possibilidade de uma repressão muito mais violenta", avaliou.

Os dirigentes iranianos, por sua vez, continuam atribuindo os protestos aos "inimigos" do Irã.

O Ministério da Inteligência e os Guardiões da Revolução, exército ideológico do Irã, acusaram a CIA e seus "aliados" do Reino Unido, de Israel e da Arábia Saudita de "conspirarem" contra a República Islâmica.

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