Cientistas alertam para resistência de medicamentos

Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos é comemorado no dia 5 de maio

qui, 05/05/2022 - 20:05 para si e para a comunidade. A medicalização inadequada, por sua vez, pode causar diversos eventos adversos à saúde, assim como intoxicação e dependência.

A situação é ainda pior quando se trata de antibióticos. Também segundo a OMS, a resistência bacteriana poderá ser uma das principais causas de óbitos de pessoas no mundo até 2050. O fenômeno pode ser definido como a capacidade das bactérias se tornarem mais resistentes aos efeitos das medicações, explicou Isabel Tavares, coordenadora da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz).

A partir do uso excessivo e indiscriminado dos antibióticos, infecções bacterianas simples, podem, com o tempo, se tornar cada vez mais difíceis de serem combatidas, levando, eventualmente, a uma piora do quadro clínico e até ao óbito. O que temos visto é um aumento do número de bactérias multirresistentes e poucas opções para tratamento no mercado”, explicou Tavares.

A avaliação é reforçada por Ana Paula Assef, chefe do laboratório de pesquisa em infecção hospitalar do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). “É preciso cada vez mais conscientizar a população e a sociedade médica sobre a otimização do uso de antibióticos, devido a esse aumento da capacidade de resistência das bactérias, e a falta de novas opções terapêuticas pela indústria farmacêutica. Essas medicações devem ser bem selecionadas para cada tipo de paciente, e utilizadas no momento e na dose adequada, de forma a minimizar seus impactos”, ponderou ela.

Dados da OMS apontam que mais de 50% de todos os medicamentos no mundo são prescritos, dispensados ou vendidos de forma inadequada, e que metade de todos os pacientes não os utiliza corretamente. Além disso, o Brasil ocupa a 17ª posição entre 65 países pesquisados em relação ao número de doses de antibióticos consumidas.

O primeiro passo para promover o uso racional de medicações é utilizá-las apenas com orientação médica. “O paciente com alguma queixa de saúde precisa, primeiro e de forma essencial, procurar assistência médica. Apenas um profissional está habilitado para avaliar o caso e prescrever, se preciso, o antibiótico. Muitos pacientes que optam pela automedicação, fazem uso, por exemplo, de antibióticos para infecções virais, o que não só não resolve o problema, como pode gerar outros”, afirmou Tavares, especialista do INI.

Outra questão é o uso da medicação pelo tempo correto, e nos horários determinados pelo médico. A interrupção de tratamento com antibiótico acontece com frequência em pacientes com doenças como tuberculose e endocardite, por exemplo, que precisam fazer uso da medicação por longos períodos, como seis meses de duração.

“Há pacientes que se sentem bem após certo período de uso da medicação, e param de tomá-la. A infecção, contudo, precisa de tempo para ser totalmente eliminada do organismo, mesmo que não provoque mais sintomas. A partir da paralisação do tratamento, a doença pode retornar e aquele medicamento não fazer mais efeito”, detalhou Assef, do IOC. “Já em relação aos horários, existe a duração que o antibiótico faz efeito no organismo, por isso é preciso tomar conforme prescrito para que continue matando as bactérias. Se há atraso, a concentração da medicação cai e a bactéria volta a se multiplicar”, completou.

A coordenadora da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do INI, Isabel Tavares destacou, ainda, a importância da higiene para evitar a resistência microbiana em ambientes hospitalares. O dia 5 de maio também é marcado pelo Dia Mundial de Higienização das Mãos. “Em ambiente hospitalar, o que facilita a disseminação de bactérias multirresistentes é a transmissão cruzada, onde entra o conceito importante de higiene das mãos. Essa higiene, de forma adequada e nos momentos certos evita essa transmissão. As duas coisas estão intrinsecamente ligadas”, pontuou ela.

Do site da Fiocruz

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