Mortes por câncer nos EUA caíram quase um terço desde 1991

Em 2004, apenas 21% dos diagnosticados com câncer de pulmão continuavam vivos após três anos. Em 2018, este índice cresceu para 31%

qua, 12/01/2022 - 20:36
Pascal POCHARD-CASABIANCA Segundo estudo, queda está relacionada ao fato de menos pessoas fumarem Pascal POCHARD-CASABIANCA

O risco de morrer de câncer nos Estados Unidos se reduziu em quase um terço em um espaço de três décadas, graças ao diagnóstico precoce, a melhores tratamentos e a um número menor de fumantes, de acordo com um estudo revelado nesta quarta-feira (12).

A taxa de mortes por câncer em homens e mulheres caiu 32% entre 1991 e 2019, o equivalente a 3,5 milhões de mortes evitadas, indicou a American Cancer Society (ACS) em seu relatório anual.

"Este sucesso se deve, em grande medida, ao fato de menos gente fumar, o que resultou em uma queda nos casos de câncer de pulmão", entre outros, diz o documento, ressaltando que o câncer de pulmão causa mais mortes que qualquer outro.

E o ritmo segue desacelerando. Na década de 1990, o risco caiu 1% ao ano. Já entre 2015 e 2019, a taxa baixou praticamente para 2%.

"A redução acelerada na taxa de mortes por câncer mostra o poder da prevenção, dos exames de imagem, do diagnóstico precoce, dos tratamentos e de nosso potencial em geral para nos aproximarmos de um mundo sem câncer", detalha o relatório.

"Nos anos recentes, mais pessoas com câncer de pulmão estão sendo diagnosticadas quando a doença se encontra em um estágio inicial e, consequentemente, vivem mais", assinalou a ACS.

Em 2004, apenas 21% dos diagnosticados com câncer de pulmão continuavam vivos após três anos. Em 2018, este índice cresceu para 31%. Contudo, ainda existem disparidades que persistem.

Segundo a ACS, a taxa de sobrevivência é menor para negros do que para brancos, em quase qualquer tipo de câncer. As mulheres negras, por exemplo, têm 41% mais possibilidade de morrer de câncer de mama do que as brancas, apesar de terem 4% menos chance de contrai-lo.

Os indígenas, por sua vez, têm a maior incidência de câncer de fígado de todos os grupos raciais/étnicos importantes dos Estados Unidos: um risco duas vezes maior que o dos brancos.

A ACS atribui essas diferenças a "iniquidades em saúde, educação e padrões gerais de vida", provenientes de "práticas discriminatórias e do racismo histórico e persistente".

Além disso, a pandemia "reduziu fortemente" a capacidade de acesso aos serviços de saúde para o câncer, incluindo prevenção, detecção e tratamentos.

"Esses atrasos nos atendimentos provavelmente vão agravar as disparidades do câncer, dado o peso desigual da pandemia nas comunidades de cor", assinala o relatório, que traz dados até 2019, antes do surto global de covid.

O câncer é a segunda causa mais comum de morte nos Estados Unidos, atrás dos problemas cardíacos. Para 2022, a ACS prevê a detecção de 1,9 milhão de novos casos de câncer e 610.000 mortes por consequência da doença, o que equivale a uma média de 1.670 por dia.

Segundo a organização, 42% dos casos câncer diagnosticados são "potencialmente evitáveis", pois são causados por fumo, excesso de peso, ingestão de álcool, alimentação ruim e falta de atividade física.

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