Acompanhamento médico contribui para o combate à surdez

Diagnóstico correto e tratamento precoce são importantes iniciativas médicas para os casos de perda auditiva, diz especialista

qui, 11/11/2021 - 18:18
CTO/Divulgação Médica Érika Sampaio: diagnóstico precoce auxilia no tratamento da perda auditiva CTO/Divulgação

No Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez, 10 de novembro, especialistas alertam para a importância da prevenção de atendimento adequado para pessoas com dificuldade de audição. A procura por auxílio especializado deve ocorrer em qualquer fase da vida, desde a infância.

A surdez pode se manifestar em diferentes idades –  e uma delas é a surdez congênita, relacionada à perda de audição ao nascer. Por ser uma das mais comuns, é importante que durante a gravidez seja feito o pré-natal como acompanhamento principal para a mãe e a criança. Além disso, os exames de sangue notificam também possíveis doenças e a surdez na gestação, afirmou a médica otorrino Érika Sampaio, que atua no Centro de Tratamento Oncológico (CTO) de Belém.

“Essa mãe também tem que ser muito bem orientada em relação ao uso de medicamentos. Eu sempre digo que a mãe grávida sempre tem que consultar o seu obstetra. Esse cuidado durante a gravidez é muito importante, sim, para a prevenção e resguardar a saúde desse bebê”, acrescentou a médica.

A médica orienta os pais a analisarem o perfil da criança conforme o crescimento, pois é comum que apareçam sinais da perda auditiva, como comportamento introspectivo, desatenção, dificuldades de aprendizado e de comunicação em lugares com muito barulho. Érika Sampaio complementa que ouvir pequenos barulhos insistentes dentro do ouvido é comum. “A pessoa começa a perceber um som, um zumbido, que não está relacionado com nenhum estímulo sonoro que está próximo. Esse zumbido pode ser uma contínuo ou pode voltar e parar”, reforçou.

A falta de acompanhamento especializado pode, também, aflorar problemas mentais nos mais idosos, informou Érika. De acordo com a médica, a dificuldade de comunicação com o começo da perda de audição contribui para o isolamento e a diminuição de interação entre pessoas idosas com familiares e amigos – potencializando a depressão e a baixo autoestima.

“[Eles] começam a ter limitações para sair com a família, para conversar com as pessoas mais jovens. Isso são sinais bem característicos dessa perda auditiva. É bom a gente ficar atento principalmente nas crianças, que não conseguem expressar, e nos idosos, que na grande maioria das vezes se calam”, alertou.

No Brasil, a inclusão para surdos ainda é baixa. Por esse motivo, a adaptação pode se tornar mais complicada para pessoas que não nasceram com a perda auditiva. Segundo Érika Sampaio, é preciso melhorar a acessibilidade dos surdos em toda a sociedade, mas principalmente na comunicação em língua de sinais (Libras), à qual poucos brasileiros não surdos têm acesso. “A parte mais importante dessa inclusão é para que essas pessoas possam ter uma vida normal e fazer com que essa criança seja incluída e tenha o convívio com outras crianças que não têm surdez e possam socializar e levar uma vida normal.”

Sobre a data alusiva, a médica chama atenção para que pais, jovens e responsáveis adquiram o hábito do tratamento precoce e visitem os médicos para terem a convicção de que a saúde está em dia. “Eu queria destacar o diagnóstico precoce e todos os outros sinais. Procure um especialista, faça um tratamento também. Vamos dar mais atenção ao diagnóstico precoce das nossas crianças e idosos”, finalizou.

Por Quezia Dias.

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