Merkel viaja aos EUA em despedida com assuntos pendentes

Merkel, que lidou com quatro presidentes americanos e que deve deixar o cargo ainda este ano, se encontrará com Joe Biden em uma visita oficial de trabalho

qui, 15/07/2021 - 11:17
MANDEL NGAN, Michael Sohn O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e a chanceler alemã, Angela Merkel MANDEL NGAN, Michael Sohn

Angela Merkel visita nesta quinta-feira (15) a Casa Branca, na reta final de sua longa carreira como chanceler alemã. Esta viagem evidencia a importância que a líder alemã tem tido nas relações transatlânticas, mas também se espera que deixe vários assuntos em aberto, como as relações com Moscou.

Merkel, que lidou com quatro presidentes americanos e que deve deixar o cargo ainda este ano, se encontrará com Joe Biden em uma visita oficial de trabalho.

O dia começará com um café da manhã na residência da vice-presidente, Kamala Harris, e depois seguirá para a Casa Branca, onde terá conversas a sós com Biden. Um jantar tem o objetivo de "transmitir gratidão", segundo um alto funcionário do governo Biden.

A Casa Branca insiste que se trata de uma "visita de trabalho" e não de uma despedida da chanceler, considerada a líder mais forte da Europa após quase 16 anos à frente da maior economia do velho continente.

Merkel e Biden vão falar sobre as mudanças climáticas, a distribuição de vacinas anticovid-19 e o futuro do Afeganistão, com a saída das tropas americanas, alemãs e de outros países.

As ameaças extremistas na região africana do Sahel também estão na agenda, disse o funcionário do governo.

Refletindo o papel central da Alemanha na Otan e na segurança transatlântica, os dois líderes planejam discutir "ataques cibernéticos e agressões territoriais" vindos da Rússia, o conflito da Ucrânia com Moscou e a "luta contra a crescente influência da China".

- Questões pendentes -

Merkel, porém, está ficando sem tempo para resolver alguns dos problemas que a Europa e os Estados Unidos enfrentam.

Entre eles o polêmico gasoduto Nord Stream 2, por meio do qual o gás natural russo será canalizado para a Alemanha.

O gasoduto não apenas contorna a Ucrânia, levantando preocupações de que Moscou esteja deliberadamente minando a economia de seu vizinho, mas também ressalta a dependência energética da Europa de uma Rússia cada vez mais hostil.

Apesar das fortes críticas ao Nord Stream 2, Biden renunciou em maio às principais sanções americanas contra o projeto, após concluir que era tarde demais para interromper seu avanço e que era melhor buscar cooperação com a Alemanha.

Biden vai expor suas "preocupações", disse o funcionário, mas claramente não espera uma grande reação de Merkel.

O presidente dos Estados Unidos convidou o ucraniano Volodimir Zelensky à Casa Branca no final deste verão boreal.

Nord Stream 2 é uma das razões pelas quais Zelensky está nervoso sobre quanto apoio europeu pode esperar em relação à Rússia.

Por outro lado, a pegada do ex-presidente Donald Trump está bem marcada em Berlim. Os futuros líderes da Alemanha não têm certeza de que a substituição de Biden na Casa Branca não retornará à desorganização que caracterizou o governo republicano.

"A furiosa hostilidade de Trump forçou a Alemanha a examinar os aspectos poucos saudáveis de sua dependência dos Estados Unidos", escreveu Constanze Stelzenmuller, do grupo de reflexão Brookings Institution, no Financial Times.

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