Além do câncer, cigarro pode provocar outras doenças

Especialista fala sobre os prejuízos do tabagismo para a saúde e alerta para os cuidados que devem ser tomados durante a pandemia

qua, 09/06/2021 - 17:32
Arquivo pessoal Médico oncologista Sandro Cavallero Arquivo pessoal

O uso constante do cigarro é responsável por uma lista enorme de problemas. O tabagismo pode comprometer a saúde das pessoas, causando até 17 tipos de câncer, além de outras doenças, como aponta o médico oncologista Sandro Cavallero, do Centro de Tratamento Oncológico (CTO), e membro da diretoria nacional da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC). 

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), de acordo com a Revisão da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10), o tabagismo também faz parte do grupo de transtornos mentais e comportamentais em razão do uso de substância psicoativa.

Sandro Cavallero diz que o câncer de pulmão é o mais comum entre fumantes e que 90% dos casos têm origem no consumo do tabaco. “Vamos lembrar que o câncer de pulmão, incluindo traqueia e brônquio, atinge mais de 30 milhões de brasileiros por ano. E o pior: mais de 80% desses pacientes morrem”, afirma.

Segundo o oncologista, o tabaco também causa envelhecimento precoce da pele, mau hálito, estraga os dentes e deixa o fumante sem fôlego. “Além, é claro, de doenças cardiorrespiratórias, cardiovasculares, metabólicas e muitas outras doenças graves são causadas pelo cigarro”, acrescenta.

Sandro Cavallero alerta sobre os prejuízos do tabagismo e explica que eles são cumulativos, ou seja, quanto mais tempo uma pessoa fuma, ela se torna ainda mais suscetível a sofrer doenças futuramente. Ele também acrescenta que o risco de um fumante ativo ter câncer é 80 vezes maior em comparação com alguém que não tem contato com cigarro.

O oncologista explica que o câncer de pulmão também pode ser desenvolvido em pessoas que não possuem o hábito de fumar. Apesar de o tabagismo ser um fator de risco para o surgimento da doença, existem outros fatores, como obesidade, sedentarismo, consumo de bebidas alcoólicas, alimentação inadequada, exposição ao sol e a substâncias cancerígenas, entre outros.

“Os fumantes passivos também são vítimas do tabaco. Quase 13% das pessoas que morrem por causa do câncer de pulmão nunca colocaram um cigarro na boca. São pessoas que convivem com fumantes. O risco de um fumante passivo ter câncer de pulmão chega a ser 25% maior do que o risco de alguém que não tem contato com cigarro”, complementa.

Em tempos de pandemia, para quem faz uso excessivo do cigarro e de outros produtos à base do tabaco, os cuidados precisam ser intensificados. Sandro ressalta que o fumante já tem os pulmões comprometidos e são órgãos muito afetados pela covid-19, sendo uma combinação muito perigosa. De acordo com o oncologista, um estudo realizado na China mostrou que as chances de progressão da doença até a morte foram 14 vezes maiores entre pessoas com histórico de tabagismo em comparação aos não fumantes.

“Os cuidados necessários começam pela prevenção à covid-19: usar máscara, manter o distanciamento, higienizar sempre as mãos com água e sabão ou com o álcool gel 70%. Também é recomendado reduzir ou parar de fumar”, orienta.

Sandro Cavallero explica que o cigarro provoca dependência física e psicológica e que é um dos vícios mais difíceis de largar. Entretanto, afirma que é possível se livrar desse hábito com ajuda especializada. O oncologista diz que o tratamento se baseia na terapia cognitivo-comportamental e no uso de medicamentos.

Sandro afirma que parar de fumar é uma das principais recomendações para quem quer ter uma vida mais saudável e reduzir o risco de doenças graves. “Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 30% dos cânceres podem ser evitados se adotarmos hábitos saudáveis. Evitar a obesidade, o sedentarismo e o álcool, ter uma boa alimentação e, especialmente, não fumar são atitudes fundamentais para viver mais e com qualidade”, finaliza.

Em Belém, há o Centro de Referência em Abordagem e Tratamento do Fumante, da Sespa, que oferece o atendimento multidisciplinar necessário. O Cratf funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h.

Endereço: Unidade de Referência Presidente Vargas (Av. Presidente Vargas, 513).

Telefone: (91) 3242-5645.

Por Isabella Cordeiro.

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