Covid-19: veja como funciona cada vacina

Coronavac, Oxford/Astrazeneca e Pfizer têm percentuais de eficiência distintos; médicos afirmam que ainda é cedo para previsões quanto ao tempo de cobertura proporcionado pelas vacinas

por Alfredo Carvalho seg, 07/06/2021 - 18:44
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Na última semana, o Governador de São Paulo João Doria (PSDB) anunciou em seu Twitter  que toda a população adulta de SP deve ser vacinada contra o Covid-19 até o final de outubro. A notícia animou diversos seguidores do político e cresce a curiodade para entender  mais sobre  como funcionam as diferentes opções disponíveis no país no momento - CoronaVac, Pfizer e AstraZeneca. 

De acordo com o médico imunologista Milton Galper, a vacina da Pfizer possui eficiência de 95% e usa uma tecnologia de RNA mensageiro, diferente da CoronaVac e AstraZeneca, que utilizam fragmentos do vírus para realizar a imunização. 

A AstraZeneca possui uma eficácia inferior à da Pfizer. Já a CoronaVac tem uma eficácia ainda menor, pouco acima dos 50%, que segundo Galper, é o mínimo exigido. “No caso da CoronaVac, trabalhos que analisaram as faixas etárias submetidas a ela demonstram eficácia de 26% em pessoas acima dos 80 anos, o que levou à especulação de uma eventual terceira dose, mas isso ainda não foi estabelecido”, comenta.

Apesar de possuir uma eficiência mais baixa, o imunologista destaca que experiências feitas na cidade Serrana (SP) mostraram uma queda substancial nos números de mortes e hospitalizações após toda a população ser vacinada com a CoronaVac. 

Outro ponto de discussão são os efeitos colaterais das vacinas, principalmente os casos relatados por aqueles que receberam a primeira dose da AstraZeneca. Galper afirma que tais reações como febre, mal estar e dor de cabeça são normais. “Também são irrelevantes em função da proteção oferecida.  A aplicação da vacina estaria suspensa apenas no caso de gestantes em virtude de um pequeno risco maior de trombose”, aponta.

O que acontece depois da vacinação?

Após mais de um ano de pandemia, muitos anseiam para voltar às suas vidas normais e se questionam sobre o tempo de cobertura da imunização de cada uma das vacinas, mas o médico endocrinologista e metabologista José Marcelo Natividade ressalta que ainda não é possível realizar essas previsões, uma vez que esses dados necessitam de tempo para serem obtidos. “Isso não é uma exclusividade da vacina da Covid 19. Todas as vacinas conhecidas passaram por isso. Especula-se que que talvez tenha que se vacinar anualmente ou mesmo um reforço vacinal, para ampliar a proteção contra a Covid e suas variações”, explica. 

Normalmente a imunização ocorre após 14 dias da aplicação da segunda dose, ou da primeira, como é o caso da vacina da Janssen, mas Natividade lembra que o tempo pode variar de acordo com a faixa etária da pessoa. “A população tem sido submetida a um mix de vacinas com tecnologias diferentes. A não transmissibilidade do vírus pós-vacinação só está comprovada nas vacinas da Pfizer e Moderna”, salienta. 

O médico afirma que ainda não existem estudos aprofundados sobre o contágio após receber outros imunizantes e, por conta disso, uma grande parte da população precisará manter o distanciamento social e o uso de máscaras por algum tempo. “Pode ser que até lá, novos estudos comprovem a eficácia de outras vacinas na não transmissibilidade do vírus pós imunização, o que gera um grau maior de relaxamento de regras de biossegurança atualmente em curso”, calcula.

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