Novas restrições na Índia após aumento de casos da Covid

Um grave surto epidêmico foi registrado nas últimas semanas no estado de Maharashtra, de 110 milhões de habitantes

seg, 22/02/2021 - 11:05
Indranil MUKHERJEE Viajantes passam por teste de PCR na chegada a uma estação de trem de Bombaim, em 22 de fevereiro de 2021 na Índia Indranil MUKHERJEE

O estado indiano mais afetado pela Covid-19, cuja capital é Mumbai, impôs novas restrições nesta segunda-feira (22), sem descartar a ideia de outro confinamento, como resultado do aumento de casos em um momento em que a vacinação parece estar atrasada.

Um grave surto epidêmico foi registrado nas últimas semanas no estado de Maharashtra, de 110 milhões de habitantes. Mumbai é a capital econômica da Índia e a região mais atingida do país, com cerca de 52.000 mortos desde o início da pandemia.

O número de novas infecções diárias em Maharashtra voltou aos níveis de outubro, no auge da pandemia. Por este motivo, novas restrições entraram em vigor nesta segunda, incluindo a proibição de qualquer reunião religiosa, social e política.

O primeiro-ministro do estado, Uddhav Thackeray, disse no domingo que estava "preocupado com a gravidade" de uma possível segunda onda.

"O mantra (princípio) simples é usar máscara, respeitar a disciplina e evitar o confinamento. Vamos rever a situação nos próximos oito dias para nos pronunciar sobre um confinamento", acrescentou.

O duro confinamento imposto na Índia em março passado foi tão flexibilizado que as famílias puderam organizar casamentos luxuosos e torneios de críquete com público, apesar do número de espectadores ainda ser limitado.

A Índia teve um pico de mais de 97.000 infecções em setembro, antes de uma queda para pouco menos de 9.000 no início de fevereiro. Mas, segundo dados do Ministério da Saúde desta segunda, o número chega neste momento a 14.000 novos casos diários.

Atualmente, o país tem 150.000 casos ativos de Covid-19, de acordo com dados oficiais.

A Índia é o segundo país do mundo em infecções, com mais de 11 milhões de casos para uma população de 1,3 bilhão de habitantes, ou seja, quatro vezes mais que os Estados Unidos, que lidera essa estatística com mais de 28 milhões de infecções.

Com 156.000 mortos, a Índia também ocupa o quarto lugar na lista dos países mais atingidos desde o início da pandemia.

- "Acento" na vacina -

Em Nova Delhi, capital de 20 milhões de habitantes, foram registrados 46 novos casos e duas mortes nesta segunda-feira.

Para o vendedor de vegetais Radhekrishna Negi, os negócios voltaram ao normal. "Estou cansado do corona. Sofri muitas derrotas no ano passado", disse ele à AFP.

"Para mim, o corona acabou. Não tenho mais medo do vírus agora. Minha família está bem, estou bem. Não há motivo para se preocupar", acrescenta.

Em contrapartida, outros residentes continuam preocupados com o vírus. "Se você olhar a situação ao redor do mundo, em todos os lugares onde baixaram a guarda, os casos aumentaram novamente", declarou Gaurav Kumar, de 44 anos, um agente comercial e de marketing.

"Não podemos nos dar ao luxo de levar as coisas de ânimo leve, considerando o tamanho de nossa população e o histórico recente de casos".

"Parece que todos acreditam que o corona desapareceu do nosso país. Acho que não", ressaltou Seema Arora, dona de casa de 30 anos. "As pessoas são idiotas", lança.

Para Anand Krishnan, professor do hospital AIMS de Delhi, é muito cedo para dizer que uma nova onda está se formando, embora considere que o "acento principal" deve ser o respeito às medidas de prevenção pessoal e vacinas.

A Índia começou a vacinar os profissionais de saúde em meados de janeiro e espera atingir 300 milhões de pessoas inoculadas até julho, ou 600 milhões de doses. Mas, com 11,1 milhões de vacinas administradas até agora, no ritmo atual, levaria anos para chegar a esse número.

Por sua vez, Adar Poonawalla, presidente do maior fabricante mundial de vacinas, o Serum Institute of India (SII), pediu no domingo que as nações que aguardam o fornecimento de doses contra a Covid-19 sejam "pacientes" após o pedido recebido de priorizar as "enormes necessidades" de seu país.

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