Forças curdas libertam mais de 600 presos ligados ao EI

Essa soltura em massa se dá no contexto de uma primeira anistia geral decretada há alguns dias pelas autoridades curdas do nordeste sírio

qui, 15/10/2020 - 14:31
Delil SOULEIMAN Homens suspeitos de terem colaborado com o EI deixam presídio no nordeste da Síria Delil SOULEIMAN

As forças curdas do norte da Síria libertaram, nesta quinta-feira (15), mais de 600 prisioneiros sírios detidos por seus vínculos com o grupo extremista Estado Islâmico (EI) - anunciou uma autoridade da administração autônoma curda.

Essa soltura em massa se dá no contexto de uma primeira anistia geral decretada há alguns dias pelas autoridades curdas do nordeste sírio. Graças a ela, 631 presos condenados por terrorismo e que cumpriram metade de sua pena seriam libertados nesta quinta.

Dezenas de milhares de detidos suspeitos de pertencerem ao Estado Islâmico, entre eles centenas de estrangeiros de diversas nacionalidades, estão nas prisões das Forças Democráticas Sírias (FDS), vinculadas à administração autônoma curda nesta região do país.

Amina Omar, copresidente do conselho democrático sírio, declarou hoje, em coletiva de imprensa realizada em Al-Qamishli (nordeste), que "todos os que foram libertados são sírios" que colaboraram com o EI, mas "que não cometeram atos criminosos".

Segundo ele, a soltura dos prisioneiros foi alcançada por intermédio "e a pedido dos chefes das tribos árabes", que constituem a maioria da população em várias áreas controladas pelos curdos, especialmente na parte oeste da Síria.

Na frente do presídio de Alaya, nos arredores da cidade de Al-Qamishli, um correspondente da AFP viu dezenas de presos deixarem o local, alguns com sacolas, outros com um ou vários membros amputados, sob uma alta vigilância de segurança.

Eles eram esperados por suas famílias, incluindo mulheres e crianças. Desde a queda do autoproclamado "califado" do EI em março de 2019, após uma última ofensiva das forças curdas apoiadas por uma coalizão liderada por Washington, as autoridades desse território pedem aos países afetados que repatriem os extremistas presos, ou que criem um tribunal internacional para julgá-los. A maioria dos países, principalmente os europeus, mostra-se relutante em repatriar seus cidadãos.

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