Protesto dos rodoviários tem confusão no Centro do Recife

Conflito ocorreu na Avenida Agamenon Magalhães, entre apoiadores e pessoas contrárias à mobilização contra a dupla função dos motoristas de ônibus e a demissão de cobradores

A manhã desta segunda (28) na área central do Recife é de mobilizações organizadas pelo Sindicato dos Rodoviários contra o fim da dupla função do motorista e para reivindicar que Estado proíba a demissão de cobradores. A manifestação ocorre no cruzamento entre a Avenida Guararapes e a Rua do Sol, no bairro de Santo Antônio, além de motivar a paralisação de coletivos em vias importantes como a Avenida Cruz Cabugá, a Treze de Maio e a Rua do Príncipe, na área central da capital pernambucana. Na Avenida Agamenon Magalhães, contudo, houve confusão entre entre apoiadores e pessoas contrárias aos protestos.

O LeiaJá flagrou o momento em que um grupo de pessoas tenta impedir que outro force a parada de um ônibus da linha PE-15/ Boa Viagem. Uma mulher, que se identificou como passageira do ônibus, precisou ser contida pela Polícia Militar.

Em outro momento, o motorista do carro de som do Sindicato dos Rodoviários leva uma tapa nas costas de um transeunte. Em seguida, o condutor retira um cacete de dentro do veículo e desfere um golpe contra o homem, sem acertá-lo. Um grupo contrário ao protesto continua cercando o carro até a chegada dos agentes policiais, que dispersam a confusão.

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Projeto de Lei

A manifestação também é uma forma de pressionar os vereadores da Câmara Municipal do Recife. Está pautada para esta segunda-feira a votação do PL 05/19, de autoria do vereador Ivan Moraes (PSOL), que proíbe a circulação de ônibus na capital com motorista acumulando a função de cobrador. Na esfera estadual, há um projeto semelhante tramitando na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), de autoria das codeputadas Juntas (Psol).

Segundo Aldo Lima, presidente do sindicato, durante a pandemia da Covid-19 rodoviários com mais de dez anos de serviço estão sendo dispensados. “Eles [a patronal] estão se utilizando da pandemia para lucrar, demitindo trabalhadores. Além disso, não querem indenizar, não pagam da forma correta e dizem que tão pagando isso porque é o que podem. Caso o trabalhador não aceite, que vá para a Justiça e lá demore por três, quatro, cinco anos. Ou seja, os trabalhadores ficam com a faca no pescoço, tendo que aceitar qualquer acordo”, comenta.