Forças iraquianas libertam alemã sequestrada em Bagdá

Mewis, que dirigia programas de arte no coletivo iraquiano Tarkib, foi sequestrada na tarde de segunda-feira (20) quando saiu do trabalho

sex, 24/07/2020 - 09:16
- Hella Mewis, uma alemã que dirige programas de arte no coletivo artístico Tarkib, em Bagdá, antes de ser sequestrada na capital iraquiana, ao deixar o trabalho, em 20 de julho de 2020 -

A alemã Hella Mewis, que trabalha com temas culturais em Bagdá, sequestrada no início desta semana, foi libertada durante a noite - informou o Exército iraquiano nesta sexta-feira (24).

"As forças de segurança conseguiram libertar a ativista Hella Mewis", disse o porta-voz militar iraquiano, Yahya Rasool, em um comunicado.

Ele não deu detalhes sobre as circunstâncias exatas da operação, a força que a executou, ou sobre os autores do sequestro.

De acordo com o porta-voz do Conselho Judicial Supremo do Iraque, o juiz Abdelsattar Bayraqdar, a operação teve o apoio de um tribunal de investigação em Bagdá. "Continuamos a investigar esse crime", acrescentou.

Mewis, que dirigia programas de arte no coletivo iraquiano Tarkib, foi sequestrada na tarde de segunda-feira (20) quando saiu do trabalho.

"Ela ia de bicicleta, quando dois carros, um deles uma van branca (...) usada por algumas forças de segurança, foram vistos sequestrando-a", disse uma fonte de segurança à AFP.

Policiais de uma delegacia próxima presenciaram o sequestro, mas não intervieram, acrescentou a mesma fonte.

A embaixada alemã em Bagdá ainda não se manifestou sobre o caso.

Uma amiga de Mewis disse à AFP que a artista havia manifestado sua preocupação. após o assassinato de Hisham al-Hashemi, um renomado intelectual iraquiano que havia apoiado os protestos contra o governo, no ano passado.

"Ela também estava muito envolvida nos protestos, por isso ficou nervosa após o assassinato" de Hashemi, afirmou a amiga Dhikra Sarsam.

Protestos contra o governo, considerado corrupto, inepto e comprometido com o Irã, invadiram as ruas de Bagdá e de todo país desde 2019.

Pelo menos 550 pessoas morreram nessas manifestações, em muitos casos baleadas por indivíduos até hoje não identificados. Dezenas de pessoas também foram sequestradas.

A Anistia Internacional classificou esses eventos como "uma crescente campanha letal de assédio, intimidação, sequestro e assassinatos deliberados de ativistas e manifestantes".

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