Merkel quer deixar marca com presidência da UE

A chanceler e sua equipe prepararam durante meses esta presidência europeia, a primeira para Berlim desde 2007 e uma das últimas oportunidades para que a dirigente alemã brilhe na cena internacional antes de sua retirada política prevista para o final de 2021

qua, 01/07/2020 - 08:46
Kay Nietfeld Chanceler alemã, Angela Merkel, em 29 de junho de 2020, em Meseberg, perto de Berlim Kay Nietfeld

A Alemanha começou sua presidência rotativa da União Europeia (UE), nesta quarta-feira (1o), com desafios históricos pela frente e com a esperança, para a chanceler Angela Merkel, de conseguir deixar uma marca perene na história do bloco.

A chanceler e sua equipe prepararam durante meses esta presidência europeia, a primeira para Berlim desde 2007 e uma das últimas oportunidades para que a dirigente alemã brilhe na cena internacional antes de sua retirada política prevista para o final de 2021.

Não bastasse o Brexit, a mudança climática e a imigração, ainda há a pandemia do novo coronavírus e suas duras consequências econômicas e sociais.

Ainda ameaçada por uma segunda onda de contágios, a União Europeia enfrenta "desafios econômicos que nunca vistos em décadas, nem mesmo antes", disse a chanceler na segunda-feira (29), em um encontro com o presidente francês, Emmanuel Macron.

"As expectativas que pesam sobre nossos ombros são muito altas", reconheceu, temendo um novo impulso dos populistas pela falta de "solidariedade" entre os países europeus.

- Noites de insônia -

Diante da avalanche de problemas, o embaixador alemão na UE, Michael Clauss, reconheceu que está tendo noites de insônia: "É difícil dormir, porque acho que as expectativas são altas".

Outros comemoram que a Alemanha assuma esta presidência.

"Um país, cuja economia (ainda) é a mais forte da União, que enfrentou a pandemia melhor do que muitos outros (pelo menos até agora), e dirigido por um governo estável", em um continente em turbulência, resumiu ontem o jornal alemão especializado em economia "Handelsblatt".

No poder de forma ininterrupta há 15 anos, um recorde para um dirigente na Europa, a chanceler tem uma oportunidade única de fazer história e de apagar a imagem ruim deixada por sua ortodoxia orçamentária durante a crise da Grécia de 2011.

Na terça à noite, o começo da presidência foi marcado simbolicamente, pela projeção no mítico Portão de Brandeburgo de Berlim, do slogan "Todos juntos para relançar a Europa". A frase apareceu inscrita em vários idiomas.

A presidência alemã começará com uma cúpula de líderes europeus em 17 e 18 de julho em Bruxelas, decisiva para o futuro da Europa.

Os 27 vão tentar alcançar um acordo sobre o projeto de pacote de estímulo de 750 bilhões de euros contra o novo coronavírus - pela primeira vez, com fundos emprestados em comum pela União Europeia. Para isso, Angela Merkel aceitou quebrar um tabu político na Alemanha.

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