Grécia pressiona UE a receber seu aliado Khalifa Haftar

Atenas não foi convidada para a Conferência de Berlim, que pretende lançar um processo de paz na Líbia sob o patrocínio da ONU

sex, 17/01/2020 - 13:13
Aris Messinis Ministro grego Nikos Dendias (esq.) recebe o marechal Khalifa Haftar em Atenas, em 17 de janeiro de 2020 Aris Messinis

A Grécia exigiu, nesta sexta-feira (17), a anulação de um acordo turco-líbio sobre a divisão das águas no Mediterrâneo, ao receber seu aliado, o marechal Khalifa Haftar, homem forte do leste da Líbia que se opõe ao governo de Trípoli, a dois dias da Conferência de Paz de Berlim.

Atenas não foi convidada para a Conferência de Berlim, que pretende lançar um processo de paz na Líbia sob o patrocínio da ONU. Anunciou, contudo, que vetará na União Europeia (UE) qualquer pacto de paz na Líbia, se não forem anulados os acordos Ancara-Trípoli.

"A Europa tem uma posição comum e reconhece que este acordo é nulo e sem efeito", declarou o ministro grego dos Assuntos Exteriores, Nikos Dendias, após se reunir com o marechal Haftar.

A Grécia se opõe aos acordos firmados em 27 de novembro pelo chefe do Governo de União Nacional (GNA, reconhecido pela ONU), Fayez Al Sarraj, e pelo presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, principal apoio de Sarraj frente ao marechal Haftar.

Estes acordos permitem à Turquia defender seus direitos sobre vastas zonas do Mediterrâneo oriental. Segundo o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, seu país começará "o quanto antes" a fazer prospecções nessas disputadas áreas ricas em hidrocarbonetos.

"A Grécia não participa da Conferência de Berlim. Esperamos que a Alemanha seja a guardiã da posição europeia sobre a Líbia", frisou.

Em um comunicado conjunto publicado há uma semana, Chipre, Egito, França e Grécia consideraram estes acordos "nulos".

Haftar chegou na quinta à noite a Atenas, em um avião particular. Conforme fontes ligadas à visita, será recebido pelo premiê Kyriakos Mitsotakis.

- Trégua -

Dotada das maiores reservas de petróleo na África, a Líbia é palco da violência e das lutas de poder desde a queda e a morte do ditador Muamar Khadafi em 2011, após uma revolta popular e uma intervenção militar liderada por França, Grã-Bretanha e Estados Unidos.

As forças do marechal Haftar iniciaram em abril de 2019 uma ofensiva para derrubar as autoridades de Trípoli. Mais de 280 civis morreram nos confrontos, assim como mais de 2.000 combatentes, segundo a ONU. Cerca de 146.000 líbios fugiram dos combates.

Ancara apoia militarmente o governo de Sarraj. Erdogan já anunciou o envio de tropas para a Líbia, com o objetivo de ajudar o GNA a conter as forças de Haftar. Este último conta com o apoio dos Emirados Árabes Unidos e do Egito, dois adversários da Turquia.

Ontem, a assessoria de Sarraj confirmou que ele participará da conferência internacional em Berlim. Em Benghazi, o marechal recebeu o ministro alemão das Relações Exteriores, Heiko Maas.

Haftar "prometeu respeitar o cessar-fogo" e "claramente indicou que quer contribuir para o sucesso da conferência de Berlim e, em princípio, está disposto a participar" dela, tuitou o chefe da diplomacia alemã, após o encontro.

Vários países estarão representados em Berlim, entre eles Rússia, Turquia, Estados Unidos, China, Itália e França.

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