Ventos fortes na Austrália geram 'megaincêndio'

A Austrália sofre, deste setembro, uma crise catastrófica de incêndios florestais

sex, 10/01/2020 - 12:03
SAEED KHAN Bombeiros combatem incêndio na Austrália SAEED KHAN

Ventos fortes causaram, nesta sexta-feira (10), a fusão de dois grandes incêndios no sudeste da Austrália, transformando-os em um incêndio gigantesco que assola um território equivalente a quatro vezes a superfície da cidade de Nova York, enquanto milhares de manifestantes exigiam ações contra as mudanças climáticas.

"As condições estão difíceis hoje. Os ventos quentes e secos são novamente um verdadeiro desafio", disse o chefe dos bombeiros na zona rural de Nova Gales do Sul, Shane Fitzsimmons, depois de alguns dias de relativa calma.

A Austrália sofre, deste setembro, uma crise catastrófica de incêndios florestais. Como se temia, as temperaturas subiram nesta sexta-feira para 40°C em várias partes de Nova Gales do Sul e no vizinho Victoria. O estado de catástrofe natural foi prolongado na quinta-feira por 48 horas em Victoria, devido às altas temperaturas esperadas para esta sexta.

Várias ordens de evacuação foram emitidas para os moradores das áreas de fronteira entre os ambos os estados. A primeira-ministra de Nova Gales do Sul, Gladys Berejiklian, disse que há mais de 130 incêndios em seu estado, dos quais cerca de 50 ainda estão fora de controle.

A situação também é particularmente preocupante na Ilha Kangaroo, no sul da Austrália, cuja maior cidade, Kingscote, está isolada do resto do mundo, devido aos enormes incêndios. Particularmente precoce e violenta, a temporada de incêndios já causou 26 mortes na Austrália, reduziu a cinzas uma área equivalente à da ilha da Irlanda (80.000 km2) e destruiu mais de 2.000 casas.

Especialistas da Universidade de Sydney acreditam que a catástrofe matou um bilhão de animais, um balanço que inclui mamíferos, pássaros e répteis.

Estas condições de prolongada seca, agravada pela mudança climática, podem gerar, segundo os especialistas, incêndios mais frequentes e intensos. Em 2019, a Austrália teve seu ano mais quente e seco, com a mais alta temperatura máxima média já registrada em dezembro: 41,9ºC.

- Manifestações -

Em Sydney e em Melbourne, milhares de pessoas saíram às ruas para exigir que o governo conservador da Austrália faça mais para combater as mudanças climáticas globais e reduza as exportações de carvão.

"Mudança de políticas, não de clima", dizia uma das faixas dos manifestantes, refletindo a crescente conscientização sobre mudança climática gerada pelos incêndios devastadores.

Alguns observadores apontam, contudo, que há uma campanha de desinformação "sem precedentes" na história do país pelas redes sociais. Seu objetivo: desconsiderar o efeito das mudanças climáticas sobre os incêndios e atribuí-los a uma origem criminosa, assim como aos recordes de seca e às altas temperaturas.

A hashtag #arsonemergency ("emergência incêndio criminal") é usada em profusão. Certas mídias, sites e políticos conservadores defendem a ideia de origem criminosa dos incêndios.

"Há um esforço conjunto para desinformar o público sobre as causas dos incêndios florestais", afirma o especialista em mídias digitais, Timothy Graham, da Universidade de Tecnologia de Queensland.

O primeiro-ministro Scott Morrison tentou, nesta sexta-feira, evitar as perguntas dos jornalistas sobre se a mudança climática poderia transformar em norma os terríveis incêndios desta temporada.

"Olha, já conversamos sobre isso várias vezes", respondeu Morrison, acrescentando que as avaliações relevantes serão feitas quando a temporada de incêndios terminar.

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