Setembro acende alerta contra o câncer de intestino

No Brasil, doença é o terceiro tipo de tumor mais frequente entre homens e o segundo entre as mulheres

seg, 30/09/2019 - 12:05
Divulgação Oncologista clínica Paula Sampaio Divulgação

O mês de setembro é dedicado à conscientização e prevenção do câncer de intestino (colorretal). Excetuando o câncer de pele não melanoma, o colorretal é o terceiro tipo de tumor mais frequente entre homens e o segundo entre mulheres. segundo estimativas do INCA (Instituto Nacional do Câncer), 36.360 novos casos devem ser registrados no Brasil no biênio 2018/2019, sendo 52% em mulheres e 48% em homens. Um aumento de 6% em relação ao biênio anterior.

A incidência de câncer colorretal está ligada ao estilo de vida e hábitos alimentares. "Ter mais de 50 anos, ser sedentário, obeso e ter má alimentação são características comuns de quem está no grupo de risco para desenvolver câncer colorretal. Entre os hábitos que podem influenciar no surgimento da doença estão dieta rica em carne vermelha e alimentos processados, tabagismo e consumo excessivo de álcool", alerta a oncologista clínica Paula Sampaio.

Histórico de diabetes tipo 2 e doenças inflamatórias intestinais (colite ulcerativa e doença de Crohn) são fatores que podem aumentar o risco de aparecimento do câncer de cólon e reto também.

Um estudo divulgado pela Sociedade Americana de Câncer revela que o número de casos de tumor colorretal (de intestino grosso e reto) está aumentando entre adultos jovens e de meia-idade, principalmente no reto — antes mais comum entre idosos. De cada dez pacientes diagnosticados com essa doença, três têm menos de 55 anos, o que fez com que a Sociedade Americana de Câncer reduzisse, em junho de 2018, a idade recomendada para rastreamento do câncer colorretal de 50 para 45 anos para pessoas sem histórico de tumor na família e sem pólipos no intestino.

A tendência de diagnósticos da doença em pacientes mais jovens também se repete no Brasil. Um levantamento feito pelo Hospital A.C. Camargo no período entre 2008 e 2015 apontou que 20% dos pacientes diagnosticados com câncer colorretal têm menos de 50 anos.

O câncer de intestino é um dos poucos tipos de tumor que podem ser prevenidos. Abrange tumores que acometem um segmento do intestino grosso (o cólon) e o reto. "É tratável e, na maioria dos casos, curável, ao ser detectado precocemente, quando ainda não se espalhou para outros órgãos", diz a médica.

Grande parte desses tumores se inicia a partir de pólipos, lesões benignas que podem crescer na parede interna do intestino grosso. Uma das medidas preventivas contra a doença é a realização de colonoscopia a partir dos 50 anos. Por meio do exame, é possível identificar e retirar pequenas lesões benignas que podem se transformar em tumores, chamadas de pólipos.

Segundo a Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP), são encontrados pólipos em cerca de 20% das colonoscopias. Por isso é tão importante realizarmos o exame, pois ele pode evitar a evolução destas lesões para a doença.

Esses pólipos podem ser detectados precocemente através de dois exames principais: pesquisa de sangue oculto nas fezes e endoscopias (colonoscopia ou retossigmoidoscopia).

Os exames devem ser realizados em pessoas com sinais e sintomas sugestivos de câncer colorretal, visando ao diagnóstico precoce, ou naquelas sem sinais e sintomas (rastreamento) pertencentes a grupos de maior risco.

A recomendação atual da SBCP é que pessoas sem histórico de câncer colorretal na família procurem o coloproctologista a partir dos 50 anos. Se houver casos na família, esse acompanhamento deve ter início 10 anos antes da idade que tinha aquele familiar quanto foi diagnosticado.

Entre os sintomas mais comuns da doença está a alteração do hábito intestinal. Por exemplo: cólica, sangramento durante a defecação, afilamento das fezes, perda de peso e anemia. Entretanto, o paciente também pode não apresentar sintoma nenhum, por isso o checape é essencial e as chances de cura estão intimamente ligadas ao estágio da doença. Quanto mais precoce o estágio, maior será a chance de cura.

Por Dina Santos, especialmente para o LeiaJá.

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