Saúde mental de professores pede novas práticas escolares

Psicóloga defende a prevenção como o melhor caminho para evitar o adoecimento e propõe parceria entre família e gestores de instituições de ensino para a implantação de projetos com foco na qualidade de vida

por Brenna Pardal seg, 23/09/2019 - 11:43
Arquivo pessoal Psicóloga Anne Lisboa: ação preventiva é fundamental Arquivo pessoal

Pesquisa on-line realizada pela Associação Nova Escola com mais de cinco mil educadores, entre junho e julho de 2018, identificou que 66% dos professores já precisaram se afastar do trabalho por questões de saúde, principalmente mental. Segundo o site, professores sofrem de ansiedade, estresse, dores de cabeça, insônia, dores nos ombros e alguns afirmaram ter depressão.

Segundo levantamento realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o brasileiro está entre as populações mais estressadas do mundo; 70% da população ativa sofre com o estresse

A psicóloga Anne Lisboa, palestrante e empreendedora, disse que o fato de os professores adoecerem mentalmente não ser divulgado com frequência ocorre porque questões pedagógicas têm mais importância do que assuntos sobre saúde na rotina escolar. Segundo Anne, o assunto está sendo mais abordado por causa do adoecimento frequente de professores e colaboradores das instituições educacionais.  

Para mudar esse quadro, Anne Lisboa disse que alunos podem contribuir com professores e vice-versa. “É importante que a família possa desenvolver práticas educativas com os próprios filhos, para que essa educação possa ser refletida na escola. Todos podem ajudar, sim, sempre que quiserem e tiverem consciência de sua importância nesse contexto muito especial, que é a escola”, explicou Anne.

“As instituições podem contribuir com enfoque maior na saúde mental de seus colaboradores, através de projetos de qualidade de vida na empresa, implantados por psicólogos em parceria com os gestores da escola e outros profissionais da área. Sempre é possível!”, disse a psicóloga sobre o incentivo das escolas com os seus profissionais.

Segundo a psicóloga, não há um momento específico para que o professor perceba que precisa de ajuda. A ação preventiva é melhor. ”O momento ideal é estar sempre cuidando de si, principalmente da saúde emocional, fator gerador tanto de saúde como de adoecimento. É necessário buscar auxílio especializado quando o sujeito reduz a energia para viver, acordar, trabalhar, apresentando um estado de pouca motivação e entusiasmo diante da sua própria vida, dentre outros fatores, dependendo de cada caso. Por isso, sempre é necessário buscar práticas de autoconhecimento para identificar quando estamos nos sentindo bem ou quando precisamos de auxílio especializado”, frisou.

 

 

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