Sindicato afirma que falhas no metrô são propositais

Em entrevista ao LeiaJá, o diretor de comunicação do Sindmetro reiterou que os problemas no metrô são propositais para pressionar a privatização da CBTU

por Victor Gouveia ter, 10/09/2019 - 12:05
Júlio Gomes/ LeiaJá Imagens Neste ano, os usuários do recife sofrem com aumentos na tarifa e falhas técnicas recorrentes Júlio Gomes/ LeiaJá Imagens

Após recorrentes falhas técnicas que complicaram o translado dos usuários pernambucanos em 2019, o Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (Sindmetro) reafirmou a intenção do Governo Federal em "forçar" a privatização dos serviços do metrô no Estado. O discurso foi impulsionado pela afirmação de sucateamento, feita pelo prefeito do Recife Geraldo Júlio, no Seminário Todos por Pernambuco, na última quarta-feira (4).

Diante dos incessantes reajustes tarifários, o prefeito recifense entende que o Governo Federal intenciona a privatização e, por isso, "sucateia, dá pane, para o serviço, piora o metrô e aumenta a passagem em 84%". Só neste ano, a passagem aumentou três vezes -pulou de R$ 1,60 para R$ 3- e ainda estão previstos mais três acréscimo até março de 2020, quando o valor atingirá R$ 4.

No mesmo dia da fala de Geraldo Júlio, um decreto presidencial foi publicado no Diário Oficial da União com a inclusão da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) no Programa Nacional de Desestatização (PND). Esta é a primeira medida para o processo de privatização da entidade, que também opera em Belo Horizonte, Maceió, João Pessoa e Natal.

Em 2019, o repasse federal foi reduzido pela União, e a CBTU esperava receber R$ 98 milhões garantidos pela Lei de Orçamento Anual (LOA). Entretanto, o valor foi novamente minimizado e ficou estipulado em R$ 56 milhões. “A gente está de acordo com a afirmação do Geraldo Júlio, até porque a gente sofreu um corte drástico que estava previsto para o ano. Dessa forma, fica praticamente impossível a operação do sistema com qualidade”, reiterou o diretor de comunicação do Sindmetro Thiago Mendes.

Para o representante, mesmo com os reajustes, o corte dificulta a manutenção preventiva das composições, rede aérea e vias. Ele enfatizou que "o sistema não tem recurso para fazer essa manutenção de forma adequada”. O resultado é percebido pela população, que se desdobra para arcar com os aumentos e, ainda assim, é surpreendida pelos problemas do serviço.

Seja por vandalismo ou dificuldades internas, de janeiro a julho deste ano, 73 falhas foram registradas pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). Sobre o levantamento, Thiago avalia que os problemas são dados de forma proposital "para exatamente crescer essa ideia de privatização no seio da população. Já que ela vê que o sistema tá tendo aumento e não tá tendo qualidade de serviço, então o lobby do governo entorno da privatização da CBTU ganha apreço".

 

COMENTÁRIOS dos leitores