Tecnologia demais atrapalha o desenvolvimento das crianças

Excesso de tecnologia afeta a saúde mental, física e emocional, além de causar danos cerebrais

por Daiane Crema ter, 25/06/2019 - 17:49
Pixabay Crianças que ficam muito tempo expostas à tecnologia podem desenvolver transtornos Pixabay

Em uma infância não tão distante assim, as brincadeiras mais comum eram pega-pega, pique esconde, amarelinha, pular corda, jogar bola, empinar pipa, entre outras. Hoje, crianças e adolescentes também buscam diversão, desde que ela esteja em aparelhos eletrônicos, como smartphones, tablets e computadores, que lhes tomam horas e horas de interação.

Esse uso em excesso pode causar graves consequências para o desenvolvimento dos pequenos. Por isso, é fundamental que os pais estabeleçam um limite. "A criança necessita de brincar e brincar no mundo real. É por meio da brincadeira que a criança se desenvolve como um todo. Experimentando e interagindo com o mundo e com o outro, [ela, a criança] desenvolve relacionamentos, adquire novos aprendizados. Através da troca desenvolve a criatividade, a empatia, aprende a dividir, desenvolve a curiosidade e estratégias para solução de problemas", explica a psicóloga especializada em Terapia Cognitiva Comportamental, Vivian C. Esteves.

Segundo Vivian, é comprovado que o excesso de tecnologia para as crianças afeta a saúde mental, física e emocional, além de desencadear outros problemas como a ansiedade, dores de cabeça, alteração de humor, depressão e dificuldade de socialização. "O excesso de uso dos aparelhos eletrônicos também prejudica a atenção e capacidade de concentração. Com o excesso de informação e conteúdo disponível na internet estamos cada vez menos permanecendo numa mesma atividade. Com a constante busca por informação ficamos trocando de tarefa, nunca passamos tempo bastante nos aprofundando num assunto, tudo fica artificial", ressalta.

As crianças que ficam muito tempo expostas à tecnologia podem vir a desenvolver o transtorno de dependência de tela, que a longo prazo, pode causar danos cerebrais. "Cientistas descobriram que esse transtorno é responsável pelo encolhimento do cérebro das crianças, que perdem tecido no lobo frontal, estriado e ínsula, e podem apresentar os mesmos sintomas de abstinência. Os sintomas do vício podem ser observados quando retiramos o aparelho e as crianças reagem com birras e comportamento incontrolável. Quanto mais precoce a tecnologia é disponibilizada, maior o risco de comprometimento", esclarece Vivian.

A tecnólogia não é uma vilã para as crianças, mas tudo em excesso é prejudicial. A psicóloga Vivian orienta que é necessário ter um controle dos pais e responsáveis sobre o uso dos eletrônicos entre as crianças, com o uso diário máximo de duas horas. "O ideal é aproveitar o tempo livre para passear ao ar livre, praticar atividades físicas. Separe tempo de qualidade com os seus filhos, esteja junto, acompanhe. Muitas crianças intensificam o uso com as tecnologias por carência", indica.

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