No dia do artista plástico, dedicação e resistência

Profissionais falam sobre o fazer artístico e sobre o atual momento da cultura no Brasil

por Alex Dinarte qua, 08/05/2019 - 17:54
Foto: arquivo pessoal A artista Zana destaca o papel da arte na preservação do senso crítico da sociedade Foto: arquivo pessoal

Instituído para homenagear um dos gêneros artísticos mais antigos do mundo, a pintura, o Dia do Artista Plástico é comemorado hoje no Brasil. A data também foi escolhida para lembrar o aniversário do pintor brasileiro Almeida Junior (1851-1899), autor de obras como "Caipira Picando Fumo" (1893) e "O Violeiro" (1899). O LeiaJá conversou com três artistas plásticos para falar sobre o papel da arte na sociedade e a valorização - ou desvalorização - do artista nos dias atuais. 

Bacharel em Artes Visuais na Belas Artes de São Paulo, a artista Thaisa Zanardi, 30 anos, assina suas obras como Zana e conta que, apesar de sempre ter trabalhado nos bastidores das artes, a coragem para colocar em prática seus próprios projetos é recente. “Me vi artista há pouco mais de um ano quando fui convidada para grafitar um estúdio de dança e para expor meu trabalho em um templo de umbanda”, relembra.

Com um estilo que ressalta elementos simbólicos, Zana procura desconstruir figuras ampliando-as para um lado menos linear, sempre inspirada por componente naturais e espirituais. “Comecei a desenvolver uma identificação dos orixás de forma mais astral, cheios de energia em volta, além das cores e dos símbolos que os representam”, relata. “É o que está dando sustento à minha arte sem perder a poética, pois é assim que costumo assinar minhas obras, resgatando símbolos importantes da nossa cultura”, afirma. A artista demonstra preocupação com o momento atual da cultura, mas ressalta a importância de continuar resistindo. “tenho visto pessoas prestando mais atenção às coisas que não querem perder mas isso não deve ser apenas enquanto lazer ou entretenimento e sim com a busca da preservação do senso crítico por meio da arte”, declara.

Participante da exposição “Xilo-Corpo e Paisagem”, em cartaz no Sesc Guarulhos de 11 de maio a 15 de setembro, o artista e educador Augusto Sampaio, 56 anos, busca incluir participantes de oficinas de arte em seus trabalhos autorais. “Procuro integrar práticas de ateliê com o trabalho de ensino na educação não-formal, onde muitas pessoas participam ativamente da elaboração de painéis gráficos”, diz. Há mais de 20 anos à frente de projetos que têm como objetivo a inserção no mundo das artes, Sampaio vê com maus olhos os cortes de verbas da educação. “O investimento precisaria ser ampliado pois ignorância é prejuízo para todos”, afirma. Fazendo valer a posição de professor, Sampaio diz que o maior desafio da atualidade é investir em educação de qualidade.

O artista visual e educador Paulo Camillo Penna, 49 anos, se dedica a questões relacionadas às gravuras, desenvolvendo vários projetos na área. Atualmente, Penna coordena o ateliê de gravura do Museu Lasar Segall e fala sobre o uso da tecnologia nas artes plásticas. “De algum modo ajuda a questionar a espontaneidade do artista mas, com a tecnologia, podemos encontrar novas possibilidades e ferramentas de trabalho”, explica. Penna, que também participa da exposição “Xilo-Corpo e Paisagem” no Sesc Guarulhos, destaca o importante papel das artes plásticas na atualidade. “É preciso se fazer valer no momento presente, estar na vida das pessoas, conseguir lidar com questões que lhes são próprias e como dialogar com a sociedade com a multiplicidade de manifestações”, aponta. Aplicando sua experiência como educador, Penna também falou sobre a importância do ensino da arte nas escolas. “É fundamental para que as pessoas desenvolvam formas de se relacionar com o mundo para refletir, se posicionar e lidar com isso de uma forma mais ampla”, afirma.

COMENTÁRIOS dos leitores