Juiz ordena Chelsea Manning a depor ante grande júri

Ela foi presa por um vazamento maciço de segredos dos EUA ao WikiLeaks

ter, 05/03/2019 - 17:58
Lars Hagberg (Arquivo) A ex-analista de Inteligência americana Chelsea Manning, em 2018 Lars Hagberg

Um juiz americano rechaçou nesta terça-feira (5) um recurso apresentado por Chelsea Manning, a ex-soldado presa por um vazamento maciço de segredos de seu país ao WikiLeaks, para evitar testemunhar diante de um grande júri em uma possível investigação contra a plataforma de revelação de dados.

Nos arredores do tribunal federal de Alexandria, no estado da Virgínia (leste), Manning disse à imprensa que a sua tentativa de evitar a convocação para comparecer perante o grande júri havia sido descartada, mas que continuaria lutando para alcançar seu objetivo.

"A petição de invalidação foi negada. Continuamos tendo motivos para litigar, então estaremos aqui amanhã", declarou Manning.

A ex-militar foi convocada na semana passada, mas a razão para sua convocação não foi indicada.

Os grandes júris, que são usados apenas nos Estados Unidos e na Libéria, são grupos de cidadãos que operam separadamente dos tribunais e que investigam se devem ou não apresentar acusações criminais. Podem obrigar testemunhas e suspeitos a depor.

Manning se opõe aos grandes júris que, segundo ela, são pressionados pelos promotores a obter depoimentos injustamente e com pouca transparência.

"É um processo secreto em que as evidências que não seriam usadas ou normalmente permitidas podem ser analisadas", disse à imprensa nesta terça-feira.

Manning, ex-analista de Inteligência do Exército, foi condenada em 2013 a 35 anos de prisão por entregar ao WikiLeaks mais de 700.000 documentos secretos relacionados às guerras no Iraque e no Afeganistão.

As revelações de Manning, que é transgênero e anteriormente conhecida como Bradley Manning, expuseram delitos encobertos e possíveis crimes cometidos por tropas e aliados dos Estados Unidos.

O então presidente Barack Obama comutou sua sentença, o que levou à sua libertação em maio de 2017.

O tribunal de Alexandria não deu nenhuma informação sobre o caso que está sendo investigado pelo grande júri, segundo Manning.

Mas a mídia americana, como o New York Times e o Politico, acreditam que os promotores federais estão investigando o WikiLeaks e seu fundador, Julian Assange, pela publicação por essa plataforma de documentos secretos da campanha democrata para a eleição presidencial americana de 2016.

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