Réus são interrogados no 2º dia de júri do caso Artur

Julgamento continua nesta quarta-feira (12) no Fórum de Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife

qua, 12/12/2018 - 08:51
Reprodução/Facebook Artur foi assassinado com quatro tiros, sendo um na cabeça e três nas costas, no dia 12 de maio de 2014 Reprodução/Facebook

O julgamento dos acusados da morte do cirurgião Artur Eugênio de Azevedo chega ao terceiro dia nesta quarta-feira (12) no Fórum de Jaboatão dos Guararapes, Região Metropolitana do Recife (RMR). No segundo dia de júri popular, houve o interrogatório dos réus Claudio Amaro Gomes e Jailson Duarte César.

No início da sessão do segundo dia, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) exibiu reportagens que duraram pouco mais de uma hora. Na sequência foi iniciado o interrogatório de Cláudio Amaro Gomes, apontado como mandante do crime.

Cláudio respondeu as perguntas da juíza, da promotoria, da assistência da promotoria, da defesa e dos jurados até as 21h30. Em seguida, houve o interrogatório do réu Jailson Duarte César, que seria o contratante dos executores. Ele optou por não responder as perguntas.

Na manhã desta quarta-feira, o julgamento continuará com os debates orais, em que acusação e defesa apresentam os seus argumentos. Cada lado terá até duas horas e meia para tentar convencer os jurados de sua tese. Em seguida, começam a réplica e a tréplica, que garantem mais duas horas para cada. Os jurados, então, serão isolados numa sala. A decisão pela absolvição ou condenação dos réus é tomada por maioria simples e a votação tem caráter sigiloso.

O acusado Cláudio Amaro Gomes está sendo julgado por homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Já o acusado Jailson Duarte César responde por homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima, em concurso material com o crime de dano qualificado. Os outros dois acusados do crime, Claudio Amaro Gomes Júnior e Lyferson Barbosa da Silva, foram a júri popular em setembro de 2016. Já Flávio Braz, o quinto réu, morreu em uma troca de tiros com a Polícia Militar, no dia 8 de fevereiro de 2015.

O caso

Artur foi assassinado com quatro tiros, sendo um na cabeça e três nas costas, no dia 12 de maio de 2014. Conforme as investigações, o cirurgião foi sequestrado na entrada da própria residência em Boa Viagem, Zona Sul da capital. Câmeras de segurança flagraram Cláudio Júnior monitorando o médico com outras duas pessoas.

A acusação afirma que o crime foi orquestrado por Cláudio Amaro devido a desentendimentos com Artur, inveja profissional e perdas financeiras por causa de ações tomadas pela vítima, como o fim da sociedade e a composição da própria equipe cirúrgica.

"Após Artur terminar uma sociedade com Cláudio, a renda de Cláudio diminuiu em torno de 75%. Além disso, foi criada uma câmara técnica de cirurgia torácica. Ideia de Artur. Cláudio era cirurgião cardíaco. Essa câmara iria acompanhar as cirurgias e poderia encontrar possíveis irregularidades nos procedimentos de Cláudio”, contou Daniel Lima à época do primeiro julgamento. As impressões digitais do filho do suposto mandante também foram encontradas em um recipiente com combustível encontrado no carro de Artur e utilizado para incendiar o veículo.

Foi entre 2008 e 2009 que Cláudio conheceu a vítima, após indicação de colega de turma de Artur, que trabalhava com Cláudio. O acusado chegou a viajar a São Paulo, onde Artur morava, para convencê-lo a trabalharem juntos no Hospital Português, localizado na área central do Recife. Inicialmente, Artur recusou, mas depois concordou em passar 15 dias no Recife e 15 dias em São Paulo porque a esposa, Carla Azevedo, não estava em condições de viajar.

Duas pessoas já foram julgadas pelo crime em setembro de 2016. Cláudio Júnior recebeu uma pena de 34 anos e quatro meses, já Lyferson Barbosa da Silva, apontado como executor, foi condenado a 26 anos e quatro meses de reclusão em regime fechado. Um quinto réu, Flávio Braz, morreu em uma troca de tiros com a Polícia Militar no dia 8 de fevereiro de 2015. Cláudio Amaro Gomes, que está sendo julgado agora, já teve o registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) cassado e não pode mais exercer a profissão.

LeiaJá também

--> Réus são condenados pela morte do médico Artur Eugênio

--> Um monstro: diz pai de Artur sobre médico mandante do crime

--> O motivo foi financeiro, diz família de Artur sobre crime

COMENTÁRIOS dos leitores