ONGs denunciam 43 mortes por hemofilia na Venezuela

A metade dos mortos eram crianças que não puderam acessar os medicamentos necessários para controlar a doença, detalhou Antonia Luque, presidente da Associação Venezuelana de Hemofilia

sex, 20/07/2018 - 20:45
DESIREE MARTIN (ARQUIVO) Imagem mostra uma mulher doando sangue no dia 19 de junho de 2018 DESIREE MARTIN

Pelo menos 43 pessoas morreram na Venezuela desde 2016 por falta de tratamento para a hemofilia, uma doença cuja mortalidade caiu drasticamente na maior parte do mundo, denunciaram duas ONGs nesta sexta-feira.

A metade dos mortos eram crianças que não puderam acessar os medicamentos necessários para controlar a doença, detalhou Antonia Luque, presidente da Associação Venezuelana de Hemofilia (AVH), em uma coletiva de imprensa.

"É necessário que o Estado aceite a abertura de um canal humanitário" para a entrada dos coagulantes sanguíneos e demais fármacos requeridos, apontou a ativista.

Estima-se que na Venezuela cerca de 5.000 pessoas padecem de hemofilia e outros transtornos de coagulação, das quais 212 se encontram em "situação crítica", acrescentou.

De acordo com Luque, cerca de 60 dessas pessoas se viram obrigadas a sair do país para receber tratamento, especialmente para Colômbia, Peru, Equador e Argentina.

"Não só temos falta de medicamentos para tratar as doenças crônicas, como estamos lutando contra a deterioração dos centros hospitalares, a escassez de insumos e a diáspora de profissionais especializados" com a migração de médicos, acrescentou Luque.

Na mesma entrevista coletiva, César Garrido, representante no país da Federação Mundial de Hemofilia, contrastou a situação dessa doença na Venezuela com a do resto do mundo.

"Recebemos notícias positivas de todo o mundo, com exceção da Venezuela. Não conheço nenhum país em que morram pacientes por falta de tratamento", afirmou.

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