Confetes, serpentinas e futebol: Náutico, Santa Cruz e Sport mantêm tradição no carnaval

Carnaval também é sinônimo de futebol, com Náutico, Santa Cruz e Sport tendo seus blocos e troças carnavalescas nas ruas

Confetes, serpentinas e futebol: Náutico, Santa Cruz e Sport mantêm tradição no carnaval

No carnaval, clubes do Trio de Ferro fazem a folia nas ruas. Arte: Felipe Santana/LeiaJá

Quando o assunto é carnaval, Náutico, Santa Cruz e Sport tocam as mesmas notas. Seja nos hinos, geralmente embalados pelo frevo, ou nas agremiações carnavalescas que vão às ruas de Recife e Olinda, misturando confetes e serpentinas com o futebol.

O carnaval é um dos períodos de maior identidade do povo pernambucano. Em alusão às festividades, o LeiaJá entrevistou representantes do bloco “Timbu Coroado”, bem como das troças carnavalescas “Minha Cobra” e “Eternamente Sport”.

Timbu Coroado embala o carnaval há 90 anos

Embelezando as ruas da Zona Norte do Recife desde 1934, o Timbu Coroado chega à sua 90ª edição. O tradicional bloco é o mais antigo entre os integrantes do Trio de Ferro e, em 2024, vai homenagear J. Borges, mestre da xilogravura, que consiste na técnica da xilografia, na qual o artesão grava as imagens na madeira.

Natural de Bezerros, no Agreste pernambucano, J. Borges é alvirrubro, cordelista, poeta e tem 88 anos. Suas artes estarão estampadas na camisa do bloco. Além disso, o músico Claudionor Germano também será homenageado no tradicional domingo de carnaval, quando um mar de foliões vai ao bairro dos Aflitos, mostrando que o bloco é mesmo “enfezado”.

“A edição de 2024 vem diferente, com muitos ingressos vendidos. A gente já pode dizer que as camisas já estão praticamente esgotadas. A expectativa é muito boa, de receber toda a família. Vamos ter um ‘Espaço Kids’ para as crianças, com tudo gratuito. Além disso, teremos dois trios nas ruas e uma escola de samba”, adianta Hugo Arcoverde, diretor social do Náutico, ao LeiaJá.

Minha Cobra destila seu veneno em Olinda

Indo do Recife às ladeiras de Olinda, está a Troça Carnavalesca Mista Ofídica Etílica Erótica Minha Cobra. Ou simplesmente Minha Cobra. A agremiação ‘se arrasta’ desde 2006 e carrega junto a apaixonada torcida do Santa Cruz, toda segunda-feira de carnaval.

Independente dos resultados em campo, faça chuva ou faça sol, a imensa cobra destila seu veneno a partir do Largo do Bonsucesso, acompanhada de uma orquestra, bem como a massa coral. A troça costuma homenagear torcedores ilustres do clube, como o músicos Chico Science e Capiba, além do ícone “Bacalhau”. Em 2024, a torcida será a principal homenageada.

“A Minha Cobra surge, em termos de ideia, em 2005. Através de amigos, até por estarmos empolgados por conta do título do (Campeonato) Pernambucano, do acesso à Série A. Do quase título também. Mas ela (a troça) começa fazer arrastões em 2006”, conta Esequias Pierre, um dos responsáveis por colocar a troça nas ruas há quase duas décadas.

“Em resumo, a ideia surgiu por conta dos blocos maiores, como a “Cobra Fumando” no Arruda, e o Timbu Coroado, no Náutico. No entanto, faltava uma manifestação de carnaval voltada mais para Olinda, no carnaval um pouco mais comunitário…. mais popular, das ladeiras”, acrescenta Pierre.

Eternamente Sport, a troça dos Leões e de Dona Maria

Falecida em agosto do ano passado, a ilustre torcedora Dona Maria será homenageada no lado rubro-negro da Folia. O “Eternamente Sport” convidou o movimento Elas e o Sport para desfilar nas ladeiras de Olinda. Fazendo contagem regressiva para os 10 anos, a troça surgiu através dos exemplos dos rivais.

“Tudo surgiu com uma ideia de amigos, eu minha esposa e mais duas pessoas formamos a diretoria. E a gente via que os rivais, Náutico e Santa Cruz, tinham suas agremiações aqui na Região Metropolitana. Contudo, o Sport não tinha. Então, desde 2016, a troça sai todo domingo de carnaval, às 11h”, pontua Renato Galvão, presidente da Troça Carnavalesca Futebolística e Cervejeira Eternamente Sport.