Fui até meu limite, diz Bia Haddad após vitória histórica

Levando em conta também o tênis masculino, o Brasil não ia tão longe em um Grand Slam desde que Gustavo Kuerten, o Guga, foi às quartas de Roland Garros em 2004

Fui até meu limite, diz Bia Haddad após vitória histórica

Beatriz Haddad Maia ficou nervosa durante muitos momentos ao longo de sua vitória histórica sobre Sara Sorribes Tormo, nesta segunda-feira, em Roland Garros, resultado que a tornou a primeira brasileira a alcançar as quartas de final de um Grand Slam desde 1968. Controlar o nervosismo diante de um cenário de tanta pressão foi o maior desafio da tenista paulistana que soube domá-lo e utilizou Novak Djokovic, vencedor de 22 Majors, como exemplo de como se portar frente à ansiedade de jogar duelos pesados.

“Meu treinador me mostrou uma entrevista do Djokovic falando que fica nervoso. Se ele sente pressão, quem sou para não sentir? Isso é normal, nós precisamos aceitar e ser humildes, evoluir quando estamos sob pressão”, afirmou em sua entrevista na quadra. “Não é apenas sobre tênis, muita coisa vem na minha cabeça. Estou muito feliz que eu não desisti e fui até o meu limite”, completou.

A vitória de virada por 2 sets a 1, com parciais de 6/7 (3/7), 6/3 e 7/5, em quase quatro horas de duelo, fez Bia colocar o tênis feminino brasileiro de volta às quartas de final em simples de um Major após 55 anos. Maria Esther Bueno foi a última a fazê-lo, no US Open de 1968, quando foi semifinalista. Mais cedo no mesmo ano, Bueno parou nas quartas em Roland Garros e Wimbledon.

Levando em conta também o tênis masculino, o Brasil não ia tão longe em um Grand Slam desde que Gustavo Kuerten, o Guga, foi às quartas de Roland Garros em 2004. O tenista catarinense, protagonista de uma relação de amor com o torneio francês, é outra inspiração para Bia. “Guga é um ídolo para mim. Eu tinha um ano quando ele ganhou o primeiro título aqui. Eu cresci ouvindo o nome dele, ele é uma pessoa legal, uma pessoa muito importante para nós. Ele é meu ídolo”, afirmou.

Bia vai enfrentar a tunisiana Ons Jabeur, tenista número 7 do mundo, nas quartas de final, em busca de colocar o tênis feminino brasileiro novamente em uma semifinal, como Maria Esther Bueno fez pela última vez no US Open de 1968. Além disso, se vencer, colocará o Brasil pela primeira vez no Top 10 do ranking mundial na Era Aberta. O 12º lugar alcançado por ela em fevereiro deste ano já é a melhor classificação de uma tenista do país.