Tatiana Weston-Webb refaz programação para Olimpíada

Ela e mais 15 surfistas vão disputar uma exibição na piscina de ondas de Kelly Slater, nos Estados Unidos, em evento chancelado pelo Circuito Mundial, mas de caráter beneficente

sex, 07/08/2020 - 08:25

Após meses de treinos físicos e de surfe, Tatiana Weston-Webb voltará a competir neste domingo. Ela e mais 15 surfistas vão disputar uma exibição na piscina de ondas de Kelly Slater, nos Estados Unidos, em evento chancelado pelo Circuito Mundial, mas de caráter beneficente. Será uma boa oportunidade para a brasileira retomar o ambiente competitivo depois de meses de suspensões e cancelamentos no calendário do surfe.

Classificada para os Jogos Olímpicos de Tóquio, Tatiana lamentou o adiamento do megaevento esportivo para 2021, em razão da pandemia do novo coronavírus. E viu também o Circuito Mundial ser cancelado, o que atrapalhou ainda mais a sua programação para Tóquio.

A surfista, contudo, já começou a refazer o seu planejamento e projeta chegar mais bem preparada na Olimpíada. "Terei ainda mais tempo para treinar, ficar mais preparada e espero chegar ano que vem melhor ainda do que estaria agora", disse a surfista, em entrevista ao Estadão. Confira outros trechos abaixo:

Já dá para encarar esta exibição como preparação para Olimpíada?

Acho que ainda não. Até porque serão ambientes totalmente diferentes. Porém, será ótimo competir novamente, colocar a Lycra do Brasil. Você não tem ideia de como sinto falta disso.

Você conseguiu surfar durante a pandemia?

Sim. Quando a pandemia começou a ficar mais forte, eu tinha acabado de chegar na Nova Zelândia para um campeonato. Cheguei num dia e fui embora no dia seguinte. Voltei para o Havaí, que graças a Deus foi super controlado. Até mesmo porque, sendo uma ilha, acho que fica mais fácil o controle de quem entra e sai, né? Tivemos algumas dificuldades no começo, mas logo a praia foi reaberta para o surfe.

O que fez para manter o preparo físico nestes últimos meses?

Eu aproveitei que os campeonatos foram cancelados com a pandemia e resolvi fazer um reforço muscular pois sentia uma dor no joelho. Como no Havaí tudo também estava fechado, consegui com o COB (Comitê Olímpico do Brasil) de fazer uns treinos de fisioterapia online e que me ajudou muito. Fiz esse reforço quase todos os dias e hoje me sinto 100% preparada.

Você já refez a programação de preparação para a Olimpíada?

Terminei a temporada do ano passado com a cabeça preparada para fazer um início de ano puxado para chegar 100% agora, data da Olimpíada. É um pouco frustrante, mas ao mesmo tempo sempre tento ver como o copo meio cheio, em um momento ruim, onde tem muitas pessoas ficando doentes, morrendo por causa dessa terrível pandemia. Eu tentei me cuidar ao máximo e, graças a Deus, estou saudável. Terei ainda mais tempo para treinar, ficar mais preparada e espero chegar ano que vem melhor ainda do que estaria agora. Já estou treinando forte há alguns meses e agora que a WSL e a ISA lançaram seus calendários (de competições), já estou com a programação pronta e torcendo para que esse vírus acabe logo.

Quais as maiores diferenças entre surfar no mar e pegar onda em uma piscina?

Poxa, é totalmente diferente, né? A piscina do Kelly tem uma onda perfeita, onde já sabemos o que temos que fazer e tentar ir no nosso limite. Gosto muito de treinar na piscina, mas, quando falamos de competição, não tem nada igual ao mar, onde toda onda é diferente. Não tenho somente um adversário do meu lado, mas tem toda a relação com a natureza, tentar prever o imprevisível. Acaba sendo muito mais difícil, mas também muito mais prazeroso você tirar uma grande nota no mar do que na piscina.

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