Seis vezes Givanildo: a marca de cada passagem no Santa

Mais identificado com o Santa do que qualquer outro treinador, o 'Rei do Acesso' tenta mais uma façanha no comando coral

por Renato Torres qua, 05/07/2017 - 19:42
Reprodução/Twitter/Santa Cruz Treinador conhece bem o clube onde tem sua sexta passagem como técnico Reprodução/Twitter/Santa Cruz

Com uma carreira de jogador profissional construída, em boa parte, no Santa Cruz, Givanildo Oliveira irá tentar pela sexta vez ter sucesso no comando coral. Ou repetí-lo, visto que o 'Rei do Acesso' também já salvou a Cobra Coral de um rebaixamento, conquistou título estadual e subiu à primeira divisão treinando o Santa. As duas últimas passagens não foram tão marcantes, mas o currículo do professor Giva no Arruda guarda boas lembranças aos torcedores tricolores.

1989/1990

Foram exatos dez anos entre saída de Givanildo como jogador do Santa Cruz para o Fluminense em 1979 e o retorno ao tricolor pernambucano como treinador em 1989. Logo em sua primeira temporada no comando coral, o treinador passou o Campeonato Pernambucano inteiro na cola do Náutico, contra quem seria derrotado na final do torneio em uma terceira partida por 2x1. Pelo Brasileiro, começou a competição passando em segundo do seu grupo na primeira fase, mas caiu já na segunda diante do Treze-PB, deixando o torneio de maneira precoce.

Acabou saindo em 1990, temporada em que o Tricolor do Arruda conquistou o Estadual contra o Sport. Mas, no CSA, faturou o título do Campeonato Alagoano daquele ano.

1998/1999

Tricolor teve um bom ano, ratificado pelo acesso à Série A, porém Givanildo não participou do Brasileiro (Reprodução)

Após sair do América-MG, Givanildo encarou uma missão complicada no Santa Cruz pelo Brasileiro de 1998; evitar o rebaixamento à terceira divisão. Em nove rodadas da primeira fase, com apenas 13 pontos somados, o Santa Cruz entrou em campo na última rodada para enfrentar o Volta Redonda, no Arruda, sabendo que qualquer resultado diferente de uma vitória significaria a queda de divisão. 

Em um jogo tenso, com direito aos visitantes a frente no placar em duas oportunidades, os atacantes que Giva colocou em campo decidiram a partida, evitando que uma campanha ruim tivesse um final trágico. No ano seguinte, iniciou o Campeonato Pernambucano, mas saiu e não participou do vice-campeonato pernambucano contra o Sport ou o acesso à Série A que foi ratificado em um empate com o Goiás, onde ninguém queria vencer.

2004/2005/2006

A terceira passagem de Givanildo Oliveira foi de longe a mais vitoriosa no clube, e está entre as maiores de sua carreira como técnico. Em 2004, a Cobra Coral viu o título estadual escapar no Arruda, mesmo tendo vencido nos Aflitos a primeira partida da decisão por 1x0. Em um jogo no qual tudo deu errado, o técnico Péricles Chamusca viu o troféu ir embora em um sonoro 3x0 naquele que foi o último título do Náutico até então, junto com ele foi o comando técnico do clube. 

Pelo Brasileiro da Série B, já com Giva, que ia construindo a fama de conquistar acessos (tinha dois até aquele momento, com América-MG e Paysandu), o Santa conquistou vaga na segunda fase da Segundona, mas acabou como último do Grupo A e não conquistou o acesso à elite do futebol: as vagas ficaram com Brasiliense e Fortaleza. Hora de recomeçar o trabalho, e dessa vez, com Givanildo já desde o começo.

Investindo em nomes como Cléber, Carlinhos Bala, Rosembick e Reinaldo, o Santa Cruz montou um time imparável. A 'família coral' foi implacável, conquistando o Pernambucano de 2005 vencendo os dois turnos e dando início à Série B daquele ano revezando a liderança da competição com o Grêmio. O sucesso daquela equipe foi tão grande que os tricolores sobraram na primeira e segunda fase do torneio, liderando as duas.

O Santa chegou na fase decisiva precisando vencer a Portuguesa para garantir a vaga na Série A de 2006. Venceu, de virada, com dois gols de Reinaldo, mas o extra, que seria o troféu, acabou ficando com o Grêmio em um jogo inacreditável contra o Náutico que ficou conhecido como a Batalha dos Aflitos. O embalo do time de Giva durou até o Pernambucano de 2006, quando a equipe perdeu uma invencibilidade de 45 jogos no Arruda para o Sport, posteriormente viria a perder o troféu do Estadual também. Givanildo aceitou uma oferta do Atlético-PR e deixou o clube sem pagar multa, já que seu contrato previa a rescisão em caso de proposta de uma equipe de ponta da primeira divisão.

2007 e 2010

As ultimas duas passagens de Givanildo pelo Santa Cruz foram discretas. Apenas com passagem pelo Campeonato Pernambucano, o ano de 2007 não tem grandes episódios memoráveis e a saída ocorreu antes mesmo da Série B, no qual o tricolor acabou sendo rebaixado para a Série C. Em 2010, a frustração foi grande já que o recém-campeão estadual, Giva, queria tirar o Santa Cruz da Série D e parou em um adversário de baixo porte.

Além de ter se classificado à segunda fase em segundo do seu grupo, o Santa foi eliminado após vencer em casa por 4x3 o modesto Guarany de Sobral-CE. Foi a última campanha do treinador a frente da Cobra Coral.

2017

Givanildo retorna ao Santa Cruz para a sua sexta passagem treinando o clube (Chico Peixoto/LeiaJáImagens/Arquivo)

Givanildo chega em uma situação delicada. Eliminado precocemente no Pernambucano, e pelo rival na Copa do Nordeste, o Santa teve um bom começo na Série B, mas vem de uma sequência de quatro jogos sem vencer, o que trouxe o treinador de volta ao Arruda. A missão de Givanildo não é fácil, mas agora o comandante acumula cinco acessos à primeira divisão, o mais recente pelo América-MG, em 2015, além de ter batido na trave assumindo o Náutico na reta final de 2016. Para a temporada o recado já foi dado, o 'Rei do Acesso' quer os salários em dia e se diz confiante de que pode colocar mais uma equipe na primeira divisão.

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