Judoca Rafaela desabafa: 'falaram que eu era uma vergonha'

Aos 24 anos, Rafaela Silva entrou para a história do esporte com o primeiro ouro do Brasil nos Jogos do Rio. Vitória também representa uma conquista familiar

por Nathan Santos seg, 08/08/2016 - 18:11
Toshifumi KITAMURA / AFP Rafaela conquistou o ouro nesta segunda-feira (8) Toshifumi KITAMURA / AFP

A vitória da judoca Rafaela Silva não se resume ao esporte. É também uma conquista pessoal, que passa pela sua derrota no judô em Londres e chega até os atritos familiares que marcam a vida da carioca de 24 anos. Nesta segunda-feira (8), ela entrou para a história do esporte mundial, ao conquista o primeiro ouro brasileiro nos Jogos do Rio, mas também escreveu um capítulo no livro da sua vida, se tornando mais um exemplo de perseverança aos desacreditados.

Emocionada, assim como os brasileiros que por alguns instantes deixam os problemas do País de lado para comemorar o ouro olímpico, Rafaela Silva relembrou sua queda nas Olimpíadas de Londres, em 2012, quando acabou sendo desclassificada. Fato que quase se tornou um ‘final infeliz’ da carioca no judô.  

"Depois da minha derrota em Londres (na última olimpíada, quando foi desclassificada por causa de um golpe ilegal), pensei que fosse largar o judô e comecei a fazer um trabalho com minha psicóloga. Ela não me deixou abandonar o judô. Meu técnico me incentivada a cada dia, em 2014 e 2015 não tive bons resultados, estava meio desacreditada, falaram que eu era uma incógnita, mas eu vim, treinei ao máximo e o resultado veio", declarou a judoca, conforme informações da AFP.

O lado familiar também teve seu peso no ouro brasileiro da judoca. A vitória vai muito além de uma conquista esportiva. "Foi uma resposta para todos que falaram que eu era uma vergonha para minha família, que não tinha capacidade de ir para uma olimpíada, que era para voltar para a jaula”, revelou Rafaela.

Natural da comunidade Cidade de Deus, periferia do Rio de Janeiro, Rafaela enalteceu a força da torcida brasileira. "A torcida me ajudou bastante, o tatame chegava a tremer, por isso pensei que não podia decepcionar todas essas pessoas que vieram me ver", declarou. E completou: "É muito bom para as crianças que estão assistindo judô agora. Ver alguém como eu, que saiu da Cidade de Deus, que começou o judô com cinco anos como uma brincadeira, ser campeã mundial e olímpica é algo inexplicável. Se essas crianças têm um sonho, têm que acreditar que pode se realizar. Dedico essa medalha a todo o povo brasileiro, minha família, meus amigos".

Com informações da AFP

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