Raio-X brasileiro nos Jogos de Londres 2012

seg, 13/08/2012 - 11:59
Divulgação/London2012 Seleção brasileira de vôlei feminino conseguiu o inédito bicampeonato Olímpico Divulgação/London2012

A maior competição esportiva do planeta sempre é marcada por momentos inesquecíveis. Quase sempre acompanhados de lágrimas. Sejam elas de alegria ou de tristeza. De uma conquista inesperada ou de uma amarga frustração. Para ilustrar esses momentos, o LeiaJá preparou as principais surpresas e decepções do Brasil nos Jogos Olímpicos de Londres 2012.

Com um investimento de R$ 1,76 bilhão no ciclo olímpico de 2009/2012, valor seis vezes maior que o aplicado no período 2001/2004 (R$ 280 milhões), o Brasil teve a melhor participação Olímpica de sua história em número de medalhas. Foram três de ouro, cinco de prata e nove de bronze. Entretanto, o número de atletas no lugar mais alto do pódio foi menor que há oito anos. Em Atenas 2004, cinco brasileiros conquistaram o almejado ouro.

Para deixar a situação do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) ainda mais constrangedora, a quantidade de brasileiros em finais nos Jogos de Londres foi inferior a Pequim 2008. Foram 35 contra 41. Um balde de água gelada nos pretensiosos discursos dos cartolas dos “esportes amadores” do Brasil e um alerta para o país que vai sediar a próxima edição da Olimpíada.

Nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, a nova promessa é ficar no Top 10 no quadro geral de medalhas.

SURPRESAS

Judô

Logo no primeiro dia de competições dos Jogos Olímpicos de Londres 2012, a jovem Sarah Menezes, 48kg, proporcionou uma das maiores alegrias para o Brasil. Aos 22 anos, a piauiense ganhou o primeiro ouro olímpico para uma mulher no judô. E o lugar mais alto do pódio foi coroado com um ippon na romena Alina Dumitru, campeã dos Jogos de Pequim 2008. Menção honrosa para Felipe Kitadai, bronze na categoria até 60kg.

Ginástica

No dia 6 de agosto de 2012, na Arena de North Greenwich, Arthur Zanetti fez história para o esporte brasileiro. Principalmente para a ginástica. Com a nota 15.900, o paulista de 22 anos se tornou o primeiro medalhista na modalidade em Jogos Olímpicos – e logo em sua estreia na competição. A atuação praticamente perfeita na prova de argola rendeu o inédito ouro e, de quebra, desbancou o favorito Yibing Chen, da China.

Pentatlo Moderno

Responsável pela 17ª e última medalha para o Brasil nos Jogos de Londres 2012, a pernambucana Yane Marques surpreendeu o país na desconhecida modalidade do Pentatlo Moderno. Na prova que testa as habilidades dos atletas em cinco esportes (esgrima, natação, hipismo, tiro e corrida), a ilustre cidadã de Afogados da Ingazeira ficou com o inédito bronze. O ouro foi para a lituana Laura Asadauskaite e a prata ficou com a britânica Samantha Murray.

Boxe

Esporte praticamente sem apoio e incentivos financeiros, o boxe surpreendeu e trouxe três medalhas para o Brasil. Destaque para os irmãos Esquiva e Yamaguchi Falcão, prata e bronze nas categorias 75kg e 81kg, respectivamente. No feminino, Adriana Araújo levou o bronze.

DECEPÇÕES

Atletismo

Indiscutivelmente a maior decepção nos Jogos Olímpicos de Londres 2012. Um dos esportes com mais investimentos no Brasil, o atletismo não conquistou medalhas e, de quebra, ainda proporcionou cenas bizarras para o país sede da próxima Olimpíada.

Fabiana Murer – A culpa foi do vento. Pelo menos foi o que alegou a brasileira ao abortar os saltos ainda na etapa classificatória. Campeã mundial de salto com vara indoor e outdoor, Murer não conseguiu ultrapassar a marca de 4,55m, ficou de fora da final e terminou na singela 14ª colocação.

Maurren Maggi – Atual campeã olímpica, a experiente atleta não passou das eliminatórias do salto em distância. A marca de 6,37m colocou a brasileira em sétimo lugar em sua bateria. Vale ressaltar que o ouro em Pequim veio com um salto de 7,04m.

Futebol masculino

A cada quatro anos o mesmo discurso: “falta o ouro Olímpico”. Depois de Londres 2012, o enfadonho desejo brasileiro vai continuar. Só que ainda mais amargo. Com diversas peças da seleção principal, os comandados de Mano Menezes, capitaneados por Thiago Silva, Oscar, Neymar e Leandro Damião, ficaram apenas com a prata. Na edição olímpica que grandes potências ficaram de fora (Argentina, Itália, Alemanha, França...) e que as demais foram eliminadas prematuramente (Uruguai, Espanha e Grã-Bretanha), o Brasil perdeu na final por 2x1 para o México. Gols de Peralta, com direito a abertura do marcador com apenas 29 segundos. Hulk descontou no finalzinho.

Futebol feminino

A geração de Marta, eleita cinco vezes a melhor jogadora do mundo, segue em decadência e sem grandes conquistas. Depois de bater na trave, ficando com a prata em Atenas 2004 e Pequim 2008, a seleção brasileira de futebol feminino foi eliminada ainda nas quartas de final para o Japão por 2x0. No final, as japonesas acabaram ficando com a prata, após derrota para os Estados Unidos por 2x1.

Vôlei masculino

A decepção não é pela honrosa medalha olímpica de prata e, sim, pela forma que aconteceu. Na final de Londres 2012, o confronto entre as favoritas seleções de Brasil e Rússia entra no livro das “incríveis viradas”. Depois de vencer os dois primeiros sets (25/19 e 25/20), os brasileiros comandados por Bernardinho não conseguiram brecar a reação russa do técnico Vladimir Alekno. Após alterar o posicionamento do gigante Dmitriy Muserskiy, que no alto dos seus 2,18m fez 31 pontos, virou para 3 a 2 (29/27, 25/22 e 15/19). Segunda prata consecutiva do vôlei masculino, que foi ouro em Atenas.

Natação

Em todos os debates ou análises era praticamente uma garantia que um ouro seria proporcionado por Cesar Cielo. Atual campeão Olímpico e recordista mundial nos 50m livre, o brasileiro ficou apenas com o bronze em Londres. Surpreendendo, o francês Florent Manaudou (21s34) levou o ouro e a prata ficou com o norte-americano Cullen Jones (21s54). Cielo fez 21s59 e o outro brasileiro na prova, Bruno Fratus, ficou em quarta com 21s61.

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