Pátio de Santa Cruz, polo no Centro do Recife, abre com Bloco do Nada e Encontro de Bois e Ursos

Nesta segunda-feira (12) momesca, a programação iniciou por volta das 15h, no palco da Prefeitura do Recife, em frente à icônica estátua de Reginaldo Rossi

Pátio de Santa Cruz, polo no Centro do Recife, abre com Bloco do Nada e Encontro de Bois e Ursos

O Rei do Urso da Rua do Sapo, grupo musical popular de São Caetano, no interior de Pernambuco. Foto: Vitória Silva/LeiaJá

No coração do Recife, o Pátio de Santa Cruz é um dos polos de Carnaval mais tradicionais e tranquilos da cidade. Nesta segunda-feira (12) momesca, a programação iniciou por volta das 15h, no palco da Prefeitura do Recife, em frente à icônica estátua de Reginaldo Rossi. Pouco antes disso, a concentração do Bloco do Nada, que também se concentra no local, já acontecia. Os foliões se reuniram ao redor do pátio para aguardar a partida das agremiações.

Assim como nos outros dias, as manifestações de cultura popular foram o foco. No domingo (11) e nesta segunda-feira (12), o show foi todo do Encontro de Bois e Ursos. Na terça-feira (13), último dia de programação, a musicalidade indígena tomará conta.

“A La Ursa do Recife é diferente da nossa. A gente chama de “evolução”, mas não sei explicar, é preciso ouvir e ver para saber. Para nós, [a La Ursa] é mais sobre a diversidade de culturas. Não há só uma, há várias, e a diversidade fortalece a cultura. Há uma troca de conhecimentos. A gente traz a nossa cultura e fica com a de vocês. Lá em São Caetano, ontem, foram entre 8 e 10 mil pessoas nos ver”, disse, ao LeiaJá, Luiz Carlos, de 60 anos, idealizador e organizador do Urso da Rua do Sapo, primeiro grupo a se apresentar no polo.

O grupo de Ursos existe desde 2005. Criado em São Caetano, a 150 quilômetros da capital, os carnavalescos da Rua do Sapo já são veteranos no Concurso Anual de La Ursas, sendo pentacampeões. No Recife, se apresentaram no Pátio de São Pedro, em 2023, e no Marco Zero, em 2020.

Bloco do Nada

Paralelo ao palco do Pátio de Santa Cruz, existe o Bloco do Nada, uma festa despretensiosa, datada em 3 de março de 2003. Segundo Gerson Flávio, de 65 anos, “idealizador por acidente”, ele nunca quis montar um bloco. “O ‘nada’ é muito filosófico, introspectivo, mas também humorado”, disse o criador do bloco ao LeiaJá. Em atividade há 21 anos, o Bloco do Nada concentra os foliões no pátio e a orquestra, logo ao lado, na Rua Barão de São Borja.

Assim como surgiu “por acaso”, o bloco não tem saída certa. A concentração iniciou às 13h, mas a folia pelas ruas estava prevista para “mais ou menos 17 horas”. Quem frequenta, diz que é assim mesmo. “Isso aqui é uma doideira, mas eu gosto. O Nada é muito organizado, mas acho que ninguém vem aqui para se organizar. Eu gosto muito, moro por aqui e venho desde que surgiu”, disse Rosângela Santana, de 56 anos, foliã e moradora do bairro da Boa Vista.

No local, havia fantasias de teor político, La Ursas e uma presença predominante: a alcunha de “Rechifre”, que acompanha, dentro os muitos apelidos da cidade, o também bem humorado “capital da gaia”. A irreverência do público está na proposta do bloco em si.

“Eu não tinha a intenção de criar um bloco. Estava fazendo um estandarte e tinha uma ideia gráfica, mas deixei para última hora e não encontrei mais tinta. Saí com um estandarte branco e as pessoas começaram a perguntar: ‘Que bloco é esse?’. Surgiram vários nomes; Bloco Inacabado, Bloco da Paz, por causa do estandarte branco. Certo dia passou um ‘gaiato’ no ônibus e me pediu para virar o estandarte. Ele quem disse ‘É o Bloco do Nada? Não tem nada’, e aí, pegou”, acrescentou Gerson.